O mês de junho de 2021 começará registrando recorde nos preços dos combustíveis em Mato Grosso. Assim como nas demais regiões do Brasil, o consumidor local vê o preço do etanol hidratado disparar nos postos de combustíveis. Na capital do estado, Cuiabá, o biocombustível teve alta de quase 40 centavos e passou a ser encontrado por R$ 4,39 nesta sexta-feira (28). Outro reajuste deverá ocorrer a partir de terça-feira (1º), quando a nova base de cálculo do ICMS sobre combustíveis começa a valer.
Combustível mais utilizado pelos mato-grossenses, o etanol hidratado perde sua vantagem ante a gasolina. A paridade dos custos operacionais entre os dois produtos já apresentava queda na semana anterior, entre os dias 16 e 22. Com os atuais reajustes no biocombustível (R$ 4,39) e no combustível fóssil (R$ 5,79), a gasolina torna-se a fonte energética mais econômica nos postos da capital. Assim, a paridade de preços é de 76%, sendo que, na média, o etanol fica vantajoso quando a sua relação de valor com a gasolina é de 73% ou menos.
A tendência é de que haja novo aumento no começo de junho. De acordo com a publicação do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), todos os dez combustíveis comercializados no estado sofreram reajustes na base de cálculo para imposto. Com isso, a previsão de impacto no custo dos dois principais produtos é de 0,0272 na gasolina e 0,0254 no etanol, conforme cálculos do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Mato Grosso (Sindipetróleo-MT).
O documento, denominado Ato Cotepe, é publicado quinzenalmente e apresenta preços de referência dos combustíveis em todo país.
EM DISPARADA – O mês de maio encerra registrando uma disparada de preços no litro do etanol hidratado em Mato Grosso. O biocombustível já começou o mês com reajuste médio de 20 centavos nas bombas dos postos da capital e encerra o período acumulando alta de quase 40 centavos em menos de trinta dias.
Parte desse encarecimento é um dos reflexos do prolongamento da estiagem, que afetou as lavouras no país. A atual safra de cana-de-açúcar atrasou o plantio na Região Centro-Sul do país, que inclui o estado de Mato Grosso. Com isso, as programações de moagem nas usinas foram proteladas, causando um impacto negativo na produção do biocombustível.
No acompanhamento quinzenal da safra na região Centro-Sul, feito pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), a moagem totalizou 86,31 milhões de toneladas no acumulado de maio. O volume representa queda de -16,24% ante os 103,04 milhões de toneladas registradas no mesmo mês de 2020.
“A queda na moagem remete ao atraso no início de safra. A retração foi especialmente importante no estado de São Paulo, que apresentou recuo de 26,37% na quantidade de cana-de-açúcar processada até o final da primeira quinzena de maio. Nos demais estados, a moagem acumulada registrou aumento próximo a 1%”, explica Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (ÚNICA).
O atraso no plantio também comprometeu a produtividade desta temporada. Dados apurados pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) para o mês de abril apontam produtividade de 73,22 toneladas por hectare, contra 83,96 toneladas por hectare na safra 2020/2021 – retração de 12,3%.
A lentidão da safra também afeta a indústria. As operações de moagem, na 1° quinzena de maio, ocorreram em 229 usinas. O número é menor comparado ao mesmo período da safra anterior (2020/2021), quando 240 unidades já haviam iniciado a moagem.
RESULTADOS DA PRODUÇÃO
A produção de açúcar na primeira quinzena de maio totalizou 2,38 milhões toneladas (-4,39%) e a de etanol 1,82 bilhão de litros (-0,61%). Do volume total de etanol produzido, o hidratado representou 1,21 bilhão de litros (-8,32%). A despeito da queda nos outros produtos da cana, o etanol anidro registrou um avanço considerável, de 19,65%, em relação à safra 2020/2021, alcançando 603 milhões de litros.
“O avanço na produção de etanol anidro retrata o comprometimento do setor com o abastecimento do mercado de doméstico. A produção na última quinzena já superou de forma significativa o consumo e ampliou o nível dos estoques, que já eram suficientes para o pleno atendimento a demanda interna. Os preços nos produtores já registraram retração na última semana, refletindo o avanço da oferta e da moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul”, analisa Rodrigues.
Fonte: Jornal Estadão Mato Grosso
