Os seis policiais indiciados pelo desaparecimento do pedreiro Rubson Farias dos Santos, de 28 anos, em Cáceres (a 220 quilômetros de Cuiabá), em janeiro deste ano, entraram na casa do homem sem justificativa legal. Isso é o que aponta o Inquérito Policial Militar (IPM), que cita uma série de ‘erros’ que teriam sido cometidos pelos acusados.
Conforme o inquérito, há indícios de violação de domicílio, cárcere privado, tortura e fraude processual. Os acusados de cometer os crimes são: 2º tenente André Filipe Batista da Silva e os soldados Jeferson da Silva Leal, Eliézio Francisco Ferreira dos Santos, Rodrigo da Silva Brandão, João Eduardo da Silva e Kristian Batista Maia.
Segundo os indiciados, a casa de Rubson seria um ponto de venda de drogas. Quando eles chegaram, relatam que viram uma pessoa correndo e deram ordem de parada, que não foi obedecida.
Posteriormente, os PMs então disseram que foram atrás, mas não o encontraram. Sendo assim, resolveram entrar na casa do pedreiro, mesmo sem saber se foi ele quem foragiu.
Ainda segundo o documento, os policiais entraram na casa de Rubson sem que houvesse amparo constitucional ou legal para tanto. Os PMs, apesar de relatarem a desobediência, não confeccionaram nenhum boletim de ocorrências com esta natureza de crime.
Além disto, há elementos que dizem que Rubson não fugiu da abordagem, o que consta inclusive nas declarações dos militares. Como o pedreiro não foi apresentado aos órgãos competentes, há também indícios de cárcere privado.
Consta ainda no processo que o pedreiro não realizou nenhum atendimento médico do fim de janeiro até a primeira quinzena de fevereiro daquele ano. Sendo que a última vez que foi visto, foi no fatídico dia.
Em depoimento, o enteado da vítima disse que no dia do episódio se deparou com policiais militares do GAP destratando e batendo em seu padrasto, sendo que um desses PMs ordenou que ele saísse do local.
Ao todo, cinco pessoas afirmaram – em depoimento – ter ouvido o pedreiro gritando por socorro, sendo que uma delas confirma ter escutado barulhos parecidos com pancadas e agressões.
O caso
O pedreiro Rubson foi levado inconsciente por policiais militares, na sexta de 29 de janeiro. Segundo familiares e vizinhos, a casa da vítima foi invadida pelos agentes que agrediram o pedreiro até deixá-lo sem consciência, quando foi levado.
Rubson não foi levado para uma delegacia para registro de boletim de ocorrência, nem para uma unidade de saúde. Diante disso, a família passou a buscar informações.
Um dia antes do desaparecimento, quinta-feira (28), a esposa e o marido teriam sido abordados pela Polícia Militar por causa de um carro que compraram há cerca de 15 dias. Ambos não sabiam, mas o veículo era roubado e teve que ser apreendido.
À época do desaparecimento, os policiais envolvidos foram afastados dos serviços nas ruas e passaram a atuar no serviço administrativo. As investigações então rastrearam o trajeto da viatura e apontaram vários indícios do envolvimento dos militares.
Fonte: Olhar Direto
