Home Destaque“São 110 dias sem ouvir a voz da minha filha”, diz mãe de menor levada pelo pai em MT

“São 110 dias sem ouvir a voz da minha filha”, diz mãe de menor levada pelo pai em MT

por Da Redacao

Desde o dia 18 de julho, a enfermeira Maria Pedroso Ardevino, de 34 anos, convive com um vazio que não cabe dentro de si. Desde aquele dia ela não vê a filha, a pequena Isadora Praeiro Pedroso Ardevino, de 8 anos, que foi levada pelo pai, o advogado João Vitor Praeiro Alves.

Nesta semana, Marina abriu as portas da sua casa ao MidiaNews e compartilhou a dor e agonia que tem sido viver sem a filha. “São 110 dias sem ouvir a voz da minha filha, sem saber com quem ela tá, o que ela tá fazendo”, diz Marina.

A enfermeira dividia a guarda da filha com o ex, que levou a menina para passar cinco dias com ele durante as férias escolares e não a devolveu mais. Isadora foi levada para Bauru, em São Paulo – onde o advogado reside atualmente -, sem a permissão ou conhecimento da mãe.

Sem nenhuma notícia sobre o paradeiro da filha desde então, Marina teme o impacto da separação forçada imposta às duas. “Eu não sei o que está passando na cabecinha dela. Será que ela tá achando que eu abandonei ela? Será que ela tá achando que eu troquei ela? Não sei”, se questiona Marina.

Apesar dessa não ser a primeira vez que a enfermeira precisa acionar a justiça para ter a filha de volta, é a primeira vez que a menina fica incomunicável e em um paradeiro completamente desconhecido, inclusive para as autoridades.

Uma dor que atinge a todos

A rotina que Marina tinha com os filhos foi posta de cabeça para baixo. Ela precisou sair do emprego para se dedicar à busca pelo paradeiro da filha e agora vive de “bicos” – trabalhos temporários.

O dia a dia que antes era balanceado com as atividades da família e momentos de lazer deu lugar a um martírio interminável, não só para Marina.

O irmão mais novo de Isadora, de apenas seis anos, acompanha a luta da mãe, mesmo sem ainda entender por completo o que se passa. “Ele sabe que ela está com o pai, mas não sabe que ela está desaparecida, que eu não sei o paradeiro dela”, conta.

Não raramente Marina precisa lidar com os questionamentos do filho: “Ele me diz, ‘mamãe, liga para a Isadora. Por que você não consegue falar com a Isadora? Antes você conseguia”, diz Marina, emocionada ao lembrar da situação.

Ela conta que os irmãos sempre foram muito unidos. “De madrugada, quando eu vou cobrir eles, já peguei várias vezes os dois de mãozinhas dadas”. Para Marina, o desaparecimento de Isadora não é só uma violência contra ela, mas contra toda a família.

O comportamento do menino mudou desde que a irmã foi levada e os dois perderam o contato. Disperso com as atividades na escola e triste pelos cantos, hoje ele chora para não sair de perto da mãe dizendo que não quer deixar Marina sozinha. “Isso acaba comigo, corta meu coração”, diz ela.

Além de lidar com os questionamentos do filho, Marina tem que ter jogo de cintura também com os amiguinhos de Isadora, que moram no mesmo condomínio. “Eu chego de carro e eles já se aproximam da janela perguntando se a Isadora voltou”.

Tudo o que Marina mais deseja é ter a filha de volta e retomar a rotina antiga. “Minha casa ficava cheia de crianças. Eu sou a tia do condomínio”, diz rindo.

A presença de Isadora

Mesmo sem Isadora na casa, a sua presença é sentida. Todos os objetos foram deixados exatamente como no dia em que a menina foi levada pelo pai.

Os óculos que ela esqueceu na cabeceira da cama, os ursinhos preferidos ao lado do travesseiro, as roupas penduradas no guarda roupas, os brinquedos na casinha de boneca que fica no quintal. Tudo lembra a criança.

Marina contou que não costuma mais ir no quintal, que o lugar a lembra demais da filha e dos momentos de alegria passados em família.

Nos álbuns de fotos essa alegria fica estampada no sorriso das crianças, registrados desde o nascimento dos dois. Seja em fotos ao ar livre, no rancho – lugar preferido de Isadora -, ou com fantasias de princesa, a felicidade dela é nítida.

Marina não perde as esperanças de rever a filha. Uma audiência está marcada para segunda-feira (8) e, em tese, Isadora deverá ser apresentada. Atualmente o pela Vara da Infância e da Juventude.

Familiares e amigos estão realizando uma vaquinha online para ajudar a custear as despesas do processo que está em andamento. Para contribuir com qualquer valor acesse Aqui.

Fonte: Midia News

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