Inspeções da Corregedoria-Geral de Justiça de Mato Grosso no sistema penitenciário de Cuiabá e Várzea Grande identificaram superlotação e problemas de infraestrutura nas unidades. De acordo com o relatório, a Penitenciária Central do Estado (PCE) possui o maior número de irregularidades.
Além da PCE, foram inspecionadas a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, o Centro de Ressocialização de Cuiabá, Centro de Detenção Provisória do Capão Grande e a Penitenciária de Jovens e Adultos de Várzea Grande.
Entre os dias 9 e 12 de novembro foram feitas inspeções no sistema prisional da região metropolitana. Os resultados não foram diferentes dos padrões nas prisões do Brasil. A principal irregularidade é a superlotação carcerária e os problemas de infraestrutura.
A Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp-MT) informou por meio de nota que a PCE está em reforma e que a unidade deve saltar de 793 vagas, existentes no ano passado, para 3078 vagas em fevereiro de 2022.
Segundo a pasta, o Poder Judiciário está acompanhando a obra desde o início e como são dois raios em construção, temporariamente os presos estão em maior número nas celas e que a situação será resolvida até o final deste mês.
De acordo com o defensor público e coordenador do trabalho, Érico da Silveira, as unidades possuem diversos problemas, como a precariedade dos sanitários, esgotos a céu aberto e reclamações em relação à alimentação servida.
“Há problema com superlotação carcerária, algumas unidades estão com números bem acima da capacidade e problemas de infraestrutura, sanitários, esgoto aberto, reclamações em relação a alimentação de má qualidade, carnes mal cozidas”, contou.
Ainda de acordo com o levantamento, algumas unidades estão regulares, entre elas o Centro de Ressocialização de Cuiabá e a Cadeia Pública de Várzea Grande. Nessas unidades não há superlotação e há trabalho disponível para os presos e acesso à educação.
As cinco unidades prisionais inspecionadas possuem ações de ressocialização para a redução da pena. Há projetos de trabalhos internos e trabalho externos que incluem trabalho na própria construção e melhorias nas unidades e projetos profissionalizantes.
Mas em algumas unidades os projetos são maiores, o que ajuda na ressocialização dos presidiários. Na Penitenciária de Jovens e Adultos de Várzea Grande, por exemplo, a maioria dos presos estão inseridas em algum tipo de trabalho.
No Centro de Ressocialização de Cuiabá, há também projetos culturais de música e artesanato.
Em contrapartida, a Penitenciária Central do Estado é a unidade que possui mais irregularidades. A capacidade projetada seria para 1.332 presos e, durante a inspeção, o local contava com 2.499.
De acordo com o coordenador, novas reformas estão em andamento para melhor a infraestrutura, aumentar a capacidade, além do conforto térmico, já que o local é muito quente.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/a/B/ofxrZ4Q0ezMzdga2NV3w/whatsapp-image-2021-02-26-at-12.55.03-1-.jpeg)
Unidade abriga o triplo de presos que a capacidade máxima — Foto: Reprodução
Casos de tortura
Desde 2019, a Defensoria Pública em parceria com a Corregedoria-Geral possui uma resolução que determina inspeções periódicas no sistema penitenciário.
No final do ano passado foram feitos alguns estudos na Penitenciária Osvaldo Florentino Leite Ferreira (Ferrugem), em Sinop, e o relatório ficou pronto em fevereiro deste ano.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/n/1/Gi6ZqMRfCny9BlGWcOSg/whatsapp-image-2021-02-26-at-12.55.02-2-.jpeg)
As celas são úmidas com baixa iluminação e tem pouca ventilação, proliferando o mofo — Foto: Reprodução
O relatório da inspeção apontou que os policiais penais usam métodos de tortura medievais contra os detentos da unidade prisional e beneficiam os que ficam nas alas evangélicas.
O estudo cita “tortura sistemática, tratamento cruel, desumano e degradante praticados por policiais penais”, além de agressões, ameaças, humilhações e desrespeito aos direitos LGBTQIA+, na penitenciária que abriga o triplo de presos que a capacidade máxima.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/a/N/zI8kR2QFm9O1drG1dh3g/whatsapp-image-2021-02-26-at-12.55.02-1-.jpeg)
Falta de higiene é uma das falhas apontadas — Foto: Reprodução
Ao todo, 72 presos da unidade prisional foram ouvidos durante a investigação e 67 relataram abusos, agressões e tortura.
Devido à grande quantidade da lesões e cicatrizes visualizadas pela equipe da Corregedoria, supõe-se que os atos de tortura são habituais e generalizados, diz o documento.
