Home DestaqueCom inflação disparada, salário minímo já vale menos de mil reais

Com inflação disparada, salário minímo já vale menos de mil reais

por Da Redacao

Novas altas no preço dos combustíveis, gás e energia corroem o poder de compra do trabalhador

A renda dos brasileiros já encolheu mais de 9% em 2021, percentual que está bem acima do intervalo de tolerância (5,25%) previsto pelo Banco Central. Para o mês de novembro, a previsão é que a variação de preços dos produtos e serviços mais consumidos pela população venha com novo aumento, de 1,17%.

A previsão é feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que avaliou o comportamento dos preços entre o dia 16 outubro ao dia 15 de novembro.

Com a previsão de alta de 1,17% na variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de novembro, o poder de compras das famílias deverá cair em 9,57%, no acumulado do ano. Em números, isso significa que uma família que sobrevive com apenas um salário mínimo (R$ 1,1 mil) terá uma redução de quase R$ 105 em sua renda.

Apesar de o IPCA-15 trazer apenas uma previsão de inflação para grupos com renda de um a 40 salários mínimos, os itens inflacionados do mês de novembro têm peso maior sobre a população mais vulnerável, que ganha até cinco salários mínimos. Para este grupo, o gasto com gás, energia e transporte restringe o acesso a outros itens, também essenciais.

Todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE tiveram alta em novembro. Porém, desta vez, os principais culpados pelo empobrecimento da população pertencem aos grupos de Transportes, Habitação e Saúde. Os três, juntos, contribuíram com 0,88 pontos percentuais (p.p.) no IPCA-15, o equivalente a cerca de 75% do índice.

No grupo Transportes, o gasto com a gasolina se destacou mais uma vez, com a alta de 6,62%. O combustível teve o maior peso na previsão de novembro (0,40 p.p.). Quando observados os números acumulados no ano, a alta da gasolina chega a 44,83%. Também houve alta nos preços do óleo diesel (8,23%), do etanol (7,08%) e do gás veicular (2,59%). O encarecimento desses produtos pode restringir a locomoção da população, além de pressionar novas altas na produção de alimentos.

O botijão de gás foi o maior vilão da cesta de produtos avaliados pelo IBGE. A inflação deste item ficou em 4,34% em novembro. O gás sofre reajustes consecutivos há mais de um ano. Desde junho de 2020, já são 18 meses de aumentos, que acumulam alta de 51,05%. O vasilhame de 13 quilos (kg) é vendido acima dos cem reais na maioria dos estados brasileiros.

Atrás do gás de cozinha, o gasto com energia elétrica segue consumindo boa parte da renda das famílias. A vigência da bandeira tarifária Escassez Hídrica desde setembro segue acrescentando R$ 14,20 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos.

O conjunto dos itens mais caros da cesta de novembro fecha com a influência das altas dos produtos de higiene pessoal (1,65%) e farmacêuticos (1,13%). Para fechar o índice geral, os demais grupos que contribuíram para o aumento da inflação foram o de Vestuário (1,59%), e Alimentação e Bebidas (0,40%).

ALÍVIO NO MERCADO – A desaceleração do grupo Alimentação e Bebidas (que saiu de 1,38% em outubro para 0,40% em novembro) deve-se às altas menos intensas e quedas nos preços de em alguns itens, como as carnes (-1,15%), o leite longa vida (-3,97%) e as frutas (-1,92%).

Altas foram percebidas no preço do tomate (14,02%), do frango em pedaços (3,07%) e do queijo (2,88%), mas em nível menos intenso que no mês anterior. Já os preços da batata-inglesa (14,13%) subiram mais que o observado em outubro (8,57%) e a cebola teve variação positiva (7%) após a queda de 2,72% no mês anterior.

Fonte: Jornal Estadão Mato Grosso

Deixe um comentário

* Ao utilizar este formulário você concorda com o armazenamento e manuseio de seus dados por este site.

Você pode gostar

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade e, ao continuar navegando, você concorda com estas condições. Aceitar Leia Mais