Em depoimento a Polícia Federal, o deputado José Medeiros (Podemos) reconheceu o emprego da palavra “mulamba” ao responder uma usuária do Twitter que comentou um post defendendo o impeachment do presidente da República, Jair Messias Bolsonaro (sem partido), a quem chamou de “psicopata” dentro do contexto da pandemia da Covid-19. O deputado justificou que a conotação com a qual desejava ser interpretava não era a de racismo, mas a mesma que ouvia durante o tempo de formação na Polícia Rodoviária Federal.
“O declarante sempre associou o adjetivo a alguém que não aguenta pressão ou sem caráter, e no caso específico, utilizou com a conotação de sem caráter”, está registrado em sua oitiva, realizada no dia 24 de novembro.
O parlamentar citou que a seguidora é militante de esquerda e, claramente, tentou impetrar um rótulo fundamentalista e preconceituoso sobre ele.
“Certamente tentou ensejar a prática comum de rotular os parlamentares e figuras políticas de direita, seja como homofóbico ou racista, a fim de prejudicar a trajetória política”, falou à PF.
O relator do processo é o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que pediu vistas para esmiuçar as falas do deputado e emitir um parecer no dia 15 de dezembro.
Relembre o caso
“A CPI da pandemia precisa acontecer. E impeachment, que dizem que desorganizaria o país, não pode ser pior e mais traumático do que a gestão de um psicopata disposto a deixar que morram 250 mil, 500 mil, um milhão de brasileiros”, escreveu uma mulher no Twitter provocando José Medeiros.
O deputado, conhecido por ser um defensor ferrenho de Bolsonaro, respondeu: “Mulamba… vai atrás de voto, na faixa não vai levar não”, escreveu Medeiros no Twitter.
Para o ministro do STF, Alexandre de Moraes, Medeiros extrapolou seu direito de liberdade de expressão. Já, o Ministério Público (MP) compreendeu que o deputado utilizou um termo racista.
À ocasião, a assessoria do político tentou explicar a atitude. Por meio de nota, disse que a expressão utilizada “se referia no sentido figurado, a pessoa indecisa, que titubeia, sem determinação e firmeza de caráter” devido a mulher chamar “sem provas, um presidente da República de assassino”e que na sua região de origem o termo não tem conotação racial.
Leia nota na íntegra
“O deputado federal José Medeiros afirma que não teve acesso aos autos e não foi notificado. No entanto, esclarece que a resposta em sua rede social estava em um contexto de discussão política com o deputado Orlando Silva, tanto que o foco central é a necessidade de votos para a reeleição.
A expressão ‘mulamba’ usada se referia no sentido figurado, a pessoa indecisa, que titubeia, sem determinação e firmeza de caráter. No caso, uma pessoa que chama, sem provas, um presidente da República de assassino.
De origem nordestina, Medeiros vive há mais de 40 anos em Mato Grosso e nas duas regiões a expressão mulambo (a) não tem conotação racial. Por fim, o parlamentar repudia qualquer tipo de discriminação e a tentativa de setores da esquerda de representar judicialmente contra parlamentares da base de apoio do presidente Bolsonaro”.
Fonte: Isso é Noticia
