Dra. Giovana Fortunato
O climatério é uma fase natural da vida da mulher, marcada por transformações hormonais que acontecem, geralmente, entre os 40 e 55 anos. A queda nos níveis de estrogênio, principal hormônio feminino, não afeta apenas o ciclo menstrual e o equilíbrio emocional — ela também tem impacto direto sobre a saúde óssea, aumentando o risco de osteoporose.
De acordo com dados da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), cerca de 30% das mulheres acima dos 50 anos sofrem com algum grau de perda de massa óssea, e a menopausa é um dos principais fatores de risco. Isso acontece porque o estrogênio exerce um papel fundamental na regulação do metabolismo ósseo, ajudando a manter o equilíbrio entre a formação e a reabsorção do tecido ósseo. Quando seus níveis diminuem, os ossos passam a perder densidade mais rapidamente.
Reposição hormonal: uma aliada no cuidado com os ossos
A terapia de reposição hormonal (TRH) é uma das estratégias mais eficazes para aliviar os sintomas do climatério — como ondas de calor, irritabilidade e insônia —, mas seus benefícios vão além. Diversos estudos, e também as recomendações da Febrasgo, apontam que a reposição de estrogênio pode reduzir significativamente a perda óssea e, consequentemente, diminuir o risco de fraturas.
A TRH atua restaurando níveis hormonais semelhantes aos do período reprodutivo, ajudando o organismo a manter a integridade do tecido ósseo e o equilíbrio do cálcio. No entanto, a indicação deve ser sempre individualizada, levando em consideração fatores como idade, histórico familiar, tempo de menopausa, presença de doenças cardiovasculares e risco de câncer de mama.
Cuidados complementares
Mesmo com os benefícios da reposição hormonal, o cuidado com a saúde óssea deve ser multifatorial. A prática regular de atividade física — especialmente exercícios com impacto e musculação —, o consumo adequado de cálcio e vitamina D, além da exposição solar controlada, são medidas essenciais para prevenir a osteoporose.
A importância do acompanhamento médico
O acompanhamento com o ginecologista durante o climatério é fundamental para avaliar a necessidade e a segurança da terapia de reposição hormonal. Cada mulher possui um perfil clínico diferente, e somente uma avaliação individualizada pode definir o tratamento mais adequado.
A menopausa não deve ser vista como o fim de um ciclo, mas como o início de uma nova fase, que pode e deve ser vivida com saúde, equilíbrio e qualidade de vida. A reposição hormonal, quando bem indicada e acompanhada, pode ser uma importante aliada nesse processo — protegendo o corpo e promovendo bem-estar.
Giovana Fortunato é ginecologista e obstetra, especialista em endometriose e infertilidade
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Dra. Giovana Fortunato
Ginecologista e obstetra – CRM [inserir número]
