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Amigo de Bruno Pereira cita coragem e esperança de indigenista

por Da Redacao
Publicado: Última Atualização em

Servidor aposentado da Fundação Nacional do Índio (Funai), Elias dos Santos Bigio era amigo do indigenista Bruno Pereira, que foi assassinato junto ao jornalista inglês Dom Phillips, no Amazonas. Nesta terça-feira (21), Bigio relevou que Pereira era corajoso por trabalhar sob perigo e que tinha esperança na resolução dos conflitos de terra na Amazônia.

Também ambientalista, Bigio revelou à reportagem que trabalhou no mesmo cargo que era ocupado pelo amigo anteriormente junto ao órgão. Os apontamentos foram feitos durante o ato “Em luto, na luta”, realizado na Praça Alencastro em memória de Pereira e Phillips. Na manifestação, o servidor aposentado apontou que também há riscos em Mato Grosso para aqueles que trabalham com a pauta indígena.

Evento memorial Dom Phillips e Bruno Pereira, Elias dos Santos

Indigenista Elias dos Santos Bagio

“Aqui em Mato Grosso, também existem pessoas nessas situações de vulnerabilidade. Existem indígenas nesta situação de vulnerabilidade. Existem as pessoas que lutam pelo meio ambiente e pela causa indígena em vulnerabilidade. Corre risco aqui e em outros lugares do Brasil”, declarou. “Ele era uma pessoa corajosa e que tinha muita esperança de que seriam resolvidas essas situações”, finalizou.

Conforme divulgado pela reportagem, Dom Phillips e Bruno Pereira foram mortos a tiros durante uma viagem pelo Vale do Javari, no Amazonas. Os restos mortais foram encontrados na quarta-feira (15). A motivação do crime ainda é incerta, mas há uma linha investigativa que apura se há relação dos trabalhos do indigenista e do jornalista contra a pesca ilegal e o tráfico de drogas na região.

Ao comentar sobre o caso, o deputado estadual Lúdio Cabral (PT), que também esteve no evento, apontou que os assassinatos de Phillips e Pereira dão indicativos da forma como o poderia econômico e o próprio Estado respondem às pautas indígenas e de proteção ambiental. O parlamentar citou ainda a dificuldade de defender agendas relacionadas aos povos originários e ao meio ambiente na Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

Bruno Pereira e de Dom Phillips

Registro do jornalista Dom Phillips, à esquerda, e do indigenista Bruno Pereira, à direita

“Essas mortes são a ponta do iceberg, que é o da violência generalizada e apoiada pelo Estado brasileiro contra aqueles que defendem os povos originários, a floresta e a natureza”, declarou. “Difícil, porque a própria defesa do poder legislativo é apoiada pelo poder econômico”, acrescentou ao citar os constantes empecilhos às pautas indígenas na Casa de Leis.

Assassinatos

Dom Phillips, que era colaborador do jornal britânico The Guardian, e Bruno Pereira, servidor licenciado da Fundação Nacional do Índio (Funai), foram vistos pela última no dia 5 de junho, na região da reserva indígena do Vale do Javari, a segunda maior do país, com mais de 8,5 milhões de hectares.

Ambos se deslocavam da comunidade ribeirinha de São Rafael para a cidade de Atalaia do Norte (AM), quando sumiram sem deixar vestígios.

Eles tinham denunciado ameaças por parte de pessoas que praticavam crimes ambientais na área indígena e a Polícia Federal já apurava o caso. Entre as suas missões, estava a de impedir a caça e a pesca ilegal na reserva, bem como outras práticas criminosas.

Dias depois, restos mortais foram achados na reserva e a PF confirmou, no dia 17 de junho, que se tratava do jornalista e do indigenista.

Foram presos pelo assassinato Oseney da Costa de Oliveira, conhecido como Dos Santos, 41, Amarildo da Costa Pereira, 41, e Jefferson da Silva Lima. Amarildo confessou que matou as vítimas a tiros e depois o trio os enterrou na mata.

Fonte: GazetaDigital

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