Com alta de 38% acumulada em 12 meses até junho, a carne bovina perdeu seu favoritismo no prato dos brasileiros, sendo substituída pelo ovo, cortes suínos ou frango. Com a contribuição das exportações, a proteína atingiu patamares de preços internacionais, com arroba cotada acima dos R$ 300. A valorização contou com a ajuda da demanda chinesa, mas prejudicou o acesso do consumidor interno.
As mudanças vistas na cadeia de bovinos acenderam o sinal de alerta da indústria brasileira e representantes do setor em Mato Grosso resolveram quebrar o silêncio, voltando a pedir redução do tributo estadual (ICMS). Segundo sindicato local, essa é uma forma de corrigir o desequilíbrio entre mercados e estimular o consumo interno.
“A arroba do boi atingiu os patamares dos preços internacionais e permanecerá neles. Este fato exigiu o ajuste no preço da carne para o mercado interno, o que ocorreu de maneira muito rápida em um momento em que a economia sofre com a realidade da pandemia”, recorda Paulo Bellincanta, presidente do Sindicato das Indústrias Frigoríficas do estado (Sindifrigo-MT).
De fato, o preço mais salgado do corte bovino afugentou os consumidores nacionais, que também tentam ajustar suas contas pessoais à diminuição da renda – em parte engolida pela inflação, que, segundo analistas de mercado, pode encerrar 2021 a 7,5% (a.a.). Essa queda do consumo no Brasil também afeta os frigoríficos, principalmente os que atendem apenas o mercado nacional.
O sindicato do setor explica que os frigoríficos que têm trabalhado abaixo da sua capacidade mínima para cobrir as despesas. O peso é maior para as empresas que dependem apenas das vendas no mercado interno.
“A indústria que exporta vende em dólar e tem uma margem de ajuste superior àqueles que dependem apenas do mercado nacional”, afirma o representante do setor.
Em 2020, as 33 indústrias frigoríficas instaladas em Mato Grosso trabalharam com média de apenas 58,6% da capacidade instalada, enquanto o ideal seria operar com 75% a 80%. Dados divulgados pela indústria indicam que os abates caíram 3,5% entre 2018 e 2020, enquanto a arrecadação estadual aumentou 45,4 %.
“Mesmo com a redução no número de abate, a arrecadação aumentou, em decorrência dos preços maiores. Bons números a serem comemorados, se não fossem os problemas que atingem a indústria no estado”, reclama.
Fonte: Jornal Estadão Mato Grosso
