Integrante do Novo Cangaço preso pela PM relata que foi recrutado em PE e tinha como tarefa evitar fuga de reféns
Salvador Santos Portela, um dos integrantes do grupo que roubou R$ 900 mil das agências do Sicoob e Sicredi, no município de Nova Bandeirantes (1.026 quilômetros de Cuiabá), no dia 04 de junho, contou em depoimento para a Polícia Civil detalhes do crime, a forma como ele foi recrutado e qual era o seu papel no dia do fato.
Conforme o depoimento de Salvador, Diego Almeida Costa, de 31 anos, que trabalhava no Estado da Bahia com instalação de placas solares, foi o responsável por recrutá-lo há aproximadamente dois meses. Na época, ele foi contratado para fazer uma estrutura para o também integrante da quadrilha, que acabou morto em confronto com o Batalhão de Operações Especiais (Bope).
Quando questionou qual seria a proposta, Diego teria dito a Salvador que seria roubar um banco e que a tarefa dele era ficar na porta de uma das agências para evitar que os reféns fugissem.
Anuncie aqui Sua marca para todo o Médio Norte 300 × 250 px Quero anunciarDias antes de saírem de Petrolina, Salvaldor conheceu mais um integrante do grupo, com quem viajou até Mato Grosso.
Salvador ficou com o grupo que atacou a agência do Sicoob, junto com Cristiano de Jesus Nunes, de 28 anos e Franklis Souza de Jesus, conhecido como Frann. O primeiro foi morto em confronto e o segundo teve a prisão em flagrante convertida em preventiva.
No momento do roubo, Salvador cumpriu a sua tarefa e ficou na parte de fora do banco, sempre com os reféns. Ele ainda tentou atirar nas câmeras de segurança, mas a arma falhou.
O juiz Tibério de Lucena Batista converteu em prisão preventiva a detenção em flagrante imposta em face de Salvador.
“Nota-se, pelo modo de proceder na execução do crime, que a liberdade de Salvador Santos Portela que, através de sua conduta visualiza-se participação direta em associação criminosa vinculada à prática de roubo, é sério risco à ordem pública, uma vez há fundado receio de que solto torne a delinquir, situação essa que demonstra que a decretação da sua prisão preventiva é medida que se impõe, uma vez que a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão não se mostram suficientes e proporcionais às condutas praticadas”, salientou o juiz.
Ainda segundo o magistrado, a colocação do suspeito em liberdade serviria de estímulo à reiteração de práticas criminosas, bem como fomentaria a crença na impunidade. “Entendo que no caso em tela nenhuma medida cautelar, que não a prisão preventiva, seria viável de aplicação diante da conduta praticada e da natureza gravíssima deste delito”.
Um vídeo flagrou o momento que Salvador entrou no estabelecimento comercial e logo depois, conforme as imagens, foi abordado. Os policiais fizeram uma série de perguntas para saber se ele estaria escondido na mata e teria ido até a mercearia comprar algo para se alimentar. Na ocasião, Salvador confessou a participação no roubo e levou os policiais até seu esconderijo na mata. Com ele foram encontradas duas espingardas, munições, coletes balísticos, joias e a quantia de R$ 50.407,60.