O juiz Cássio Leite de Barros Netto determinou que a vereadora Edna Sampaio (PT) apague postagens nas redes sociais nas quais ela chama o deputado estadual Gilberto Cattani (PSL) de homofóbico. A decisão é de segunda-feira (21).
Cattani foi alvo de críticas depois que fez um post onde afirma que “ser homofóbico é uma escolha, ser gay também”.
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Deputado estadual Gilberto Cattani (PSL) — Foto: Facebook
A decisão atende a um pedido do deputado à Justiça. Ele argumentou ao juiz que a vereadora cometeu calúnia ao acusá-lo dos crimes de homofobia.
O deputado pediu que Edna excluísse as publicações e que fosse advertida para que não fizesse novas postagens sob pena de multa.
Ao analisar o pedido, o juiz afirmou que as postagens da vereadora extrapolam a crítica pessoal. Já sobre o deputado, o juiz acredita que ele apenas manifestou sua opinião.
“Interpretando o teor da declaração, tenho que o requerente [Cattani] apenas manifestou seu pensamento sobre cada um poder escolher ser o que é. Diferentemente seria se tivesse afirmado ser homofóbico, o que não me parece ser o caso”, disse o magistrado.
O juiz ainda argumentou que, já que ‘vivemos numa sociedade com alto nível de acesso à informação, especialmente por meio das redes sociais através de computadores, tablets, smartphones, as publicações ganham longo alcance e aquelas de teor negativo’.
“Direcionada a determinada pessoa podem igualmente chegar a incontáveis leitores ocasionando nefastos efeitos à vida pessoal, profissional e saúde psicológica. A permanência dos textos tal como postados podem concretamente, aumentar o nível de danos a um patamar de irreparabilidade, o que compromete a eficácia do provimento final”, pontou Netto.
Além de determinar que Edna exclua as postagens, o juiz também alertou que ela poderá ser multada em até R$ 20 mil por dia caso faça novas postagens do tema.
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Em uma rede social, Edna se manifestou publicamente nesta quarta-feira (23) sobre a decisão judicial.
“O Juiz Cassio Leite de Barros Neto, de Nova Mutum, decidiu que devo apagar meus post’s e me abster de qualquer menção ao Dep. Catanni. Segundo o Juiz, a postagem do deputado que equivale ser gay ao direito de ser homofóbico não é crime. O crime é meu??!!”, indagou a vereadora.
Repercussão
Cattani assumiu a vaga deixada por Silvio Fávero, que morreu em decorrência da Covid-19 em março deste ano. O deputado se manifestou duas semanas depois dizendo que não teve intenção de ‘defender ou ofender’ com a publicação.
A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB-MT) e outras entidades também se posicionaram contra Cattani. A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) chegou a analisar abertura de uma investigação sobre a conduta do deputado por indícios de crime de homofobia.
A OAB-MT já havia se manifestado, através de nota, repudiando de forma veemente a conduta do parlamentar. E agora formaliza o pedido junto ao parlamento.
No ofício enviado à ALMT, a instituição ressalta que tem a finalidade “de defender a Constituição” e que homofobia é crime, equiparado ao de racismo.
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A mensagem foi feita na ferramenta Stories, do Instagram, que é apagada automaticamente após 24 horas.
Outras entidades
Entidades se manifestaram por meio de nota de repúdio contra o posicionamento do parlamentar.
Assinam a nota o Conselho Municipal de Atençao à Diversidade Sexual de Cuiabá (CMADSC); Grupo Livre-Mente; Conselho da Juventude (Conjuve); União da Juventude Socialista (UJS/MT); União Nacional Dos Estudantes (UNE); Coletivo Maes pela Divesidade – MT; e Levante Popular da Juventude- MT.
O movimento de luta pelos direitos humanos da população LGBTQI+ de Mato Grosso repudiou a atitude do deputado.
“No Brasil, a homofobia é crime, a homossexualidade não é crime e tão pouco doença. Existe todo um esforço coletivo para que possamos construir uma sociedade justa, fraterna e igualitária, atitudes, que pretendem reforçar o preconceito e a violência, devem ser repudiadas”, diz trecho da nota.
Além disso, a carta assinada pelas entidades contra a homofobia disse que a postagem serve de alimento para ampliar a violência contra pessoas LGBTQI+, somente por conta da orientação sexual e ou identidade de gênero.
“Cabe lembrar ao referido deputado que dia 17 de maio, comemoramos, o dia internacional de luta, onde a Organização Mundial de Saúde (OMS), retirou o a homossexualidade do rol de doenças, a despatologizaçao, assim como a heterossexualidade não é doença e tão pouco opção, a homossexualidade também não é”.
Para o grupo, o deputado, como agente público, precisa entender o papel fundamental das instituições, na defesa e no combate a todo tipo de violência, a defesa e a luta pelo fim da violência contra a população LGBTQI+, deve ser abraçada por toda sociedade, nossa luta, é pela valorização da vida. Importante reforçar que a população jovem LGBTQI+, tem três vezes mais propensão ao suicídio, por sofrerem no cotidiano, ataques e julgamentos negativos”.
Por fim, as entidades que repudiam a atitude do parlamentar exigem que ele se retrate pela declaração e que uma audiência pública para dialogar sobre as violências sofridas pela população LGBTQI+ em Mato Grosso.
Fonte: G1 MT
