Giovana Fortunato
O mês de junho é marcado pela campanha Junho Laranja, que chama a atenção da sociedade para a importância da prevenção, diagnóstico precoce e tratamento da leucemia e da anemia, duas condições que, embora distintas, merecem especial cuidado durante a gestação.
Durante a gravidez, o corpo da mulher passa por diversas transformações fisiológicas que afetam diretamente o sistema sanguíneo. A anemia, por exemplo, é bastante comum nesse período, afetando uma parcela significativa das gestantes, principalmente pela maior necessidade de ferro e outros nutrientes essenciais para o desenvolvimento do bebê e para a manutenção da saúde materna.
Anemia na gestação: quando se preocupar?
A anemia gestacional, principalmente a ferropriva (por deficiência de ferro), pode trazer riscos sérios se não for devidamente diagnosticada e tratada. Entre as consequências estão parto prematuro, baixo peso ao nascer, fadiga intensa na gestante e maior risco de infecções. Por isso, é fundamental que o pré-natal inclua exames laboratoriais regulares e acompanhamento nutricional adequado.
A boa notícia é que, na maioria dos casos, a anemia pode ser prevenida com uma alimentação equilibrada e, quando necessário, suplementação de ferro prescrita por um profissional.
Leucemia e a gestação: um desafio complexo
Já a leucemia, embora rara durante a gestação, representa um desafio tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento. Essa doença onco-hematológica exige um olhar multidisciplinar, envolvendo não apenas a ginecologia e obstetrícia, mas também a hematologia e a oncologia. Os sintomas iniciais – como cansaço extremo, palidez, sangramentos e infecções recorrentes – podem ser confundidos com alterações naturais da gravidez, o que pode atrasar o diagnóstico.
Diante de qualquer sinal de alerta, é essencial investigar com responsabilidade e celeridade, pois o diagnóstico precoce da leucemia é determinante para o sucesso do tratamento e, em muitos casos, é possível compatibilizar a continuidade da gestação com as medidas terapêuticas adequadas.
Informação, cuidado e prevenção
A campanha Junho Laranja é, portanto, uma oportunidade valiosa para reforçar o papel do pré-natal como ferramenta de prevenção e vigilância da saúde da mulher e do bebê. A gestação é um momento que exige cuidados redobrados e atenção aos mínimos sinais que o corpo apresenta.
A informação qualificada, o diálogo com profissionais de saúde e o acompanhamento regular são os principais aliados para garantir uma gestação saudável, protegendo a mãe e o bebê de possíveis complicações relacionadas ao sangue.
Cuidar da saúde é um ato de amor. E esse cuidado começa com a prevenção.
Dor à penetração: o que está por trás de um silêncio que ainda persiste
Sentir dor durante a relação sexual, ao usar um absorvente interno ou até mesmo durante um exame ginecológico não deveria ser normalizado, nem silenciado. A dor genitopélvica à penetração é uma queixa comum entre as mulheres, mas ainda envolta em tabus, julgamentos e falta de informação adequada – fatores que dificultam o diagnóstico e o acesso ao tratamento.
Estima-se que entre 8% e 21% das mulheres, em todo o mundo, vivenciem algum grau de dor durante o sexo com penetração. Apesar de frequente, essa condição ainda é pouco discutida, mesmo em ambientes médicos, o que reforça o sofrimento silencioso de muitas mulheres e o impacto negativo que esse problema pode causar na autoestima, norelacionamentos e na saúde emocional.
Entendendo a dor genitopélvica
Trata-se de uma dor persistente ou recorrente que ocorre durante tentativas de penetração vaginal, seja no ato sexual, no uso de absorventes internos ou em procedimentos ginecológicos. Essa dor pode surgir em qualquer fase da vida e é considerada uma manifestação de disfunção sexual feminina, merecendo atenção clínica cuidadosa e sem julgamentos.
Ela pode se apresentar de diferentes formas, com causas variadas, e, por isso, exige uma avaliação individualizada. Os tipos mais comuns incluem:
Dispareunia: dor durante o ato sexual, que pode ser superficial, na entrada da vagina, ou profunda, sentida em determinadas posições ou com penetração mais intensa. Pode estar associada a causas físicas, como infecções, endometriose, alterações hormonais, ou emocionais, como ansiedade ou traumas prévios.
Dra. Giovana Fortunato é ginecologista e obstetra, docente do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do HUJM e especialista em endometriose e infertilidade no Instituto Eladium, em Cuiabá (MT).
