Débora Cristina Siqueira, 34, é mãe de uma criança de 4 anos, que faz tratamento contra o câncer no hospital de referência em Cuiabá, e teme que o acompanhamento seja prejudicado com a falta dos repasses da prefeitura. Conforme a direção do Hospital do Câncer, o município não pagou ao menos R$ 41 milhões em 4 meses e não há condições de seguir com serviços.
A mulher vem do interior para garantir o atendimento ao filho diagnosticado com leucemia. “No caso dele é vital. Se ele não tiver recurso, morre”, disse a mãe preocupada com o andamento do tratamento.
Ela é só uma das dezenas de mães que se encontram no meio da discussão entre o hospital e a prefeitura. A notícia de uma possível paralisação, nesta quarta-feira (28), gera dúvidas e temor sobre a saúde dos pacientes. Além do tratamento, o hospital oferece suporte para os doentes e acompanhantes, como no caso da Débora e do filho, que vai desde a alimentação, até internação e exames.
O local acaba se tornando uma segunda casa para a família, que depende dos atendimentos prestados. Mas, mesmo com o atraso no repasse de recursos para manter os atendimentos, o hospital garante que não deixará de atende, acalmando pacientes e acompanhantes.
“O prefeito Emanuel Pinheiro não vai conseguir fechar o Hospital de Câncer”, garantiu Laudemi Moreira Nogueira, presidente do HCan. Mas pontua que o atendimento será inviabilizado se os repasses não forem regularizados. O hospital ainda conta com um quadro de doações da própria população.
Por nota, a Prefeitura de Cuiabá informa desconhecer o valor devido. Leia abaixo a nota na íntegra:
“- A Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá informa que não reconhece o montante de R$ 37.260.554,95 conforme relatado pelo Hospital de Câncer de Mato Grosso (HCan).
– Os valores reconhecidos constam na proposta de quitação dos débitos formalizada pelo Município em documento oficial e autos do processo que corre perante a justiça.
– Dentro da proposta estão prazos e data para quitação de débitos, bem como comprovante de pagamento as competências de UTI já efetuado. – Tal proposta foi efetuada e apresentada ao HCan no dia 27 deste mês.
– Sua formulação ocorreu com base em reunião com a presidência da instituição realizada na data de 26 de setembro.
– A SMS, conforme proposta apresentada ao HCan, se compromete em realizar o pagamento do recurso FEEF referente aos meses de junho, julho e agosto no valor de R$ 2.867.198,97 e de R$ 4 milhões referente ao montante dos valores do componente pré e pós fixado das competências de maio e junho no início do mês de outubro.
– Por fim, ressalta o compromisso dessa gestão com as instituições contratualizadas, mesmo mediante ao cenário de problemas que a municipalidade vem enfrentando com a rede assistencial cada vez mais sobrecarregada com pacientes que vêm de todo interior do Estado.
– A SMS salienta que vem envidando todos os esforços para enfrentar a crise que assola a saúde pública deste município, uma vez que sofre uma grande sobrecarga nos serviços de oncologia do Estado de Mato Grosso, devido os vazios assistenciais nas especialidades oncológicas nas outras 15 regionais de saúde do Estado de Mato Grosso.”
Fonte: GazetaDigital
