Home DestaqueMT registra queda de 23,5% em mortes por acidente de trânsito

MT registra queda de 23,5% em mortes por acidente de trânsito

por Da Redacao

É até difícil de acreditar, mas os acidentes de trânsito em todo o estado tiveram uma redução significativa no que se refere às ocorrências com vítimas fatais – óbito – ou até mesmo uma ‘simples batida’, que vemos nas diversas esquinas da Capital e outras cidades. Um levantamento divulgado pelo Observatório da Segurança Pública de Mato Grosso mostrou que nos seis primeiros meses de 2021 (janeiro a junho) houve uma redução significativa nestas ocorrências, sendo que no caso das mortes a queda se remete a 23,5%. Isso porque, no primeiro semestre de 2020, foram 319 casos fatais, que caíram para 244 na primeira metade de 2021.

Os dados levantados através da Secretaria de Segurança Pública (Sesp) mostram que essa tendência de redução também foi bem brusca no quesito lesão corporal culposa (acidentes sem morte). No ano passado, os primeiros 180 primeiros dias do ano registraram 2.527 dessas ocorrências. Neste ano, o número caiu para 2.272 esse ano, uma redução de 10%.

Mesmo com esse sinal de ‘alívio’, não dá para identificar o que fez com que essas situações acontecessem menos, já que uma série de questões podem influenciar na hora em que o motorista se desloca para sua casa, trabalho, igreja ou qualquer outro destino. É o que destaca o delegado Christian Alessandro Cabral, titular da Delegacia de Delitos no Trânsito (Deletran) em entrevista ao Estadão Mato Grosso.

Christian Cabral

“A violência no trânsito, ela está ligada [principalmente] à equação da velocidade. Agora o que faz a diferença é que quanto as vias, elas oferecem condições dos usuários trafegarem em velocidades mais altas (…) ou no caso, que nós estamos falando aqui no ano de 2020, que haviam menos pessoas e veículos circulando nas vias, esse ambiente ele acaba favorecendo com que pessoas imprudentes imprimam grandes velocidades em seus deslocamentos”, cita.

Para Cabral, é uma das justificativas que podem ser aplicadas ao ano de 2020 onde se tinham menos pessoas nas ruas, por causa do isolamento social, mas que foi registrado mais acidentes. Porém, o delegado explica que isso não foi e não é ainda um motivo para que as pessoas sejam imprudentes no trânsito .

Para se ter uma noção de como esses acidentes continuam acontecendo com frequência, mesmo estando em queda, é só voltarmos ao início da semana onde na segunda-feira (16) duas ocorrências foram relatadas pela reportagem de Estadão Mato Grosso. Em uma delas, a vítima teve parte da perna decepada em Cuiabá.

Já na terça-feira (17) a jovem Juliana de Oliveira, 29 anos, saiu para comprar um presente e morreu atropelada por uma carreta após cair de moto na Rodovia dos Imigrantes, em um trecho que pertence a Cuiabá. Essas duas situações e outros diversos casos registrados têm uma coisa em comum.

“O que a gente tira desses números é que as maiores vítimas desses acidentes são os motociclistas seguidos dos pedestres, que são as partes mais vulneráveis, mais frágeis dentro do ambiente viário. São aqueles que acabam tendo seu corpo mais exposto à violência viária no caso dos acidentes”, pontua Christian.

No caso dos motociclistas, segundo o delegado, em sua grande parte, esses têm uma “dificuldade” maior em cumprir regras que não são aplicadas apenas aos veículos que possuem quatro rodas ou mais, fazendo com que assim muitas infrações acabem se transformando em ‘tragédias’.

Já na outra ponta mais atingida do ‘iceberg’, os pedestres, o gestor da Deletran expõe que muitos condutores possuem uma grande dificuldade de “entender” que essas pessoas têm o direito a atravessar fora da faixa, quando não houver faixa ou semáforo. Esta é uma das determinações impostas pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Nesses casos, vale a chamada de atenção.

“O pedestre não tem a obrigação de só fazer travessia em passarelas e faixas, ele pode fazer a travessia em qualquer lugar. Só que quando ele faz fora desses lugares, o cenário de risco dele é maior, então exige mais atenção e mais cautela. Muitas vezes essa cautela e essa atenção não existem e ele acaba, em razão do seu comportamento, desenvolvendo acidentes”, exemplifica.

Cenário de julho

Ainda conforme os dados divulgados pelo Observatório da Segurança Pública, que se remetem ao segundo semestre de 2021, só está fechado os dados pertencentes ao mês de julho, visto que o comparativo é feito semestralmente. Ou seja, o próximo será levantado provavelmente em janeiro de 2022

No mês passado, foram registrados em todo o Mato Grosso 418 acidentes no trânsito e cinco óbitos.

Números da Capital

A Deletran é responsável especificamente por casos de acidentes no trânsito registrados apenas em Cuiabá e Várzea Grande, já que cada município tem a sua delegacia responsável. Porém, o inquérito final de todas as investigações, assim como em casos de homicídios e afins, é assinado pela Polícia Judiciária Civil (PJC).

Falando de Cuiabá em específico, o levantamento divulgado pela Sesp refuta ainda como a cidade ‘mãe de todas’ do Estado tem participação no resultado dos dados. Isso acontece, pois, de janeiro a junho de 2020 a cidade registrou 995 acidentes, somados a 51 mortes e que diminuiu para 982 e 40, respectivamente.

A queda geral nesses números gira positivamente em torno dos 23%.

Seja na Capital ou até mesmo nos outros 140 municípios incluídos em todo o território mato-grossense, que tem domínio ou não da Deletran, o orientável pelo delegado que acompanha de perto diversos acidentes e suas causas, contradições e até mesmo a dor que muitas famílias passam, é ter a “consciência” sempre em todos os lugares quando estamos no trânsito.

“O trânsito não perdoa erros, ele é dinâmico. Todos os usuários têm que quando estão utilizando o ambiente viário terem a sua atenção totalmente voltada para aquele momento, tanto os condutores de veículos, quantos os pedestres. Qualquer distração no trânsito, em infração de segundos, pode ser fatal”, conclui.

Fonte: Jornal Estadão Mato Grosso

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