Pacientes dos três falsos médicos que atuaram no Hospital Regional da cidade de Água Boa (730 km de Cuiabá) relataram para o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) que teriam passado pela experiência de acordar durante o período em que se encontravam intubados.
Victor Gustavo Barja Oliva, Jéssica da Vera Cruz Sousa e Lydia da Vera Cruz Souza foram denunciados na sexta-feira (19) e vão responder também por expor a vida ou a saúde de outras pessoas a perigo, associação criminosa e falsidade ideológica.
A denúncia feita pelo MPMT destaca que por várias vezes o grupo atuou sem a supervisão do médico responsável local, prescrevendo medicamentos, avaliando pacientes e exames clínicos, bem como realizando procedimentos médicos, como dreno de tórax, acesso central, intubação e até massagem cardíaca.
Consta no documento que os falsos médicos atuaram os meses de abril e maio deste ano no Hospital Regional Paulo Alemão. Além de exercer a profissão de médico sem autorização legal, as investigações revelaram que eles inseriram declaração falsa para alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante.
Várias reclamações relacionadas à atuação dos três chegaram ao Ministério Público e os fatos estão sendo apurados na esfera cível e criminal. Existe, inclusive, inquérito policial instaurado para apurar possíveis consequências criminais envolvendo a morte de duas pessoas.
Além de Victor, Jéssica e Lydia, foram acionados o médico Sebastião Siqueira de Carvalho Júnior e Raquel Guerra Garcia, sócios e administradores da empresa Cure Tratamento em Saúde Ltda, que era responsável até então pela prestação dos serviços de saúde na Unidade de Terapia Intensiva de Covid-19 do hospital onde os fatos ocorreram.
Os administradores da unidade hospitalar na ocasião são acusados de substituir os medicamentos de primeira linha por outros que não tinham a mesma eficácia de sedação.
Para poupar gastos com materiais, insumos descartáveis como seringas, agulhas, frascos utilizados para as dietas e frascos de soro teriam sido reutilizados pela unidade hospitalar. Há registros, inclusive, de que um paciente da UTI chegou a ficar sem receber alimentação por até três dias.
A denúncia foi oferecida nesta sexta-feira (19) pelo promotor de Justiça Luis Alexandre Lima Lentisco.
Fonte: Repórter MT
