A Polícia Federal cumpriu dois mandados de busca e apreensão na quinta-feira (11) durante investigação de ameaças a servidores da Funai no distrito de Guariba, em Colniza (a 1.042 quilômetros de Cuiabá).
Os mandados foram expedidos pela Vara Federal de Juína.
A PF abriu um inquérito policial para investigar a prática reiterada de ameaças contra os servidores da Funai lotados à Frente de Proteção Etnoambiental Madeirinha-Juruena. A equipe monitora a Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo.
Além da busca domiciliar e de medidas cautelares, foi deferida a proibição de aproximação ou manutenção de contato, diretamente ou indiretamente, com os funcionários do órgão.
Os investigados devem ficar há no mínimo 100 metros da Base de Proteção Etnoambiental da Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo.
Eles também não podem acessar, sob qualquer justificativa, a reserva da etnia.
A operação tem como objetivo prevenir e reprimir a intimidação aos servidores da Funai e, por consequência, manter protegidos os indígenas Kawahiva do Rio Pardo.
De acordo com a Polícia Federal, a tribo vive isolada e de maneira não integrada à sociedade civil.
Histórico
A Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo é uma terra indígena localizada entre os municípios de Colniza, no Mato Grosso, e Novo Aripuanã, no Amazonas. Ocupa uma área de 411.844 hectares e é habitada por cerca de 290 índios.
Em 1999, a Funai, depois de receber informações sobre a presença de índios isolados na região, enviou equipes para recolher informações. Confirmada a presença do grupo, em 2001 o órgão isolou a Terra Indígena Rio Pardo, junto à Serra Grande, entre o Rio Aripuanã e o Guariba.
Os estudos prosseguiram e levaram à publicação em 2007 do Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação da Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo. A Funai estabeleceu então restrições ao direito de ingresso, locomoção e permanência de pessoas no local.
Entretanto, grileiros e madeireiros atuantes na área criticaram a decisão, alegando que não havia índios ocupando aquela área. Somente em 2016, porém, o Ministério da Justiça declarou oficialmente o território como Terra Indígena.
Fonte: Mídia News
