O aumento da mistura de biodiesel no diesel, em setembro, formará uma “tempestade perfeita” para nova onda de aumento de custos, que recairá no bolso da população. A adição do biocombustível (diesel B) ao combustível fóssil (diesel A) passará de 10% para 12%, conforme estabelece última resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). O percentual ainda está abaixo do mínimo previsto para o período, que seria de 13%, numa tentativa do governo de conter a alta do combustível.
Só que a valorização da soja, matéria-prima mais usada para produção de biodiesel, conseguiu superar o preço do barril do petróleo nos últimos 12 meses.
“Historicamente, um bushel de soja – cerca de 27 quilos –, custava em média nove dólares e, agora, custa quinze dólares. Então, quando olhamos para o biodiesel, composto da soja que está com preços nos Pirineus, e junta com o petróleo, que também subiu, cria-se uma tempestade perfeita dos combustíveis”, explica o economista Vivaldo Lopes.
Os reflexos do aumento da mistura podem gerar um ciclo vicioso de aumento de preços, que afeta, principalmente, o bolso dos brasileiros. A alta do diesel elevará os custos com transporte e produção no país. Dentre os afetados por essa tempestade está o consumidor, que sentirá no “estômago” mais uma alta de preços dos alimentos.
“O próprio produtor de soja vai ter aumento de custos, pois precisa do diesel para os maquinários. Os caminhoneiros também dependem do diesel para transportar a produção. É aumento sobre aumento e ainda tem o câmbio sobre isso”, pontua.
Apesar de a mistura do biocombustível ser pequena, seu peso na composição do preço final é três vezes maior que o fóssil. Conforme dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), nos meses de setembro e outubro o litro do biodiesel custará R$ 5,658. O valor deve ficar 3,1% maior que o período anterior (julho –agosto), quando o litro entregue era R$ 5,485. Os valores não consideram a margem das distribuidoras que adquirem o produto e realizam a mistura.
Segundo o Sindipetróleo (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Mato Grosso), a adição de mais 2% de biodiesel no diesel, nos patamares de preços atuais, deve resultar em uma alta de R$ 0,07. “Mas há distribuidoras repassando aumentos de R$ 0,15 aos postos, conforme relatos de revendedores mato-grossenses”, afirma a entidade.
“O óleo vegetal tem peso importante no preço do produto ao consumidor. Só depois da combinação é que o óleo diesel, já misturado, chega aos postos. O patamar atual do litro de biodiesel nas usinas está custando quase três vezes mais do que o diesel de petróleo vendido pelas refinarias da Petrobras, onde o produto é comercializado a R$ 2,80. Numa comparação rápida, o óleo vegetal custa mais que o litro de diesel nas bombas, isso já contabilizando impostos e margens de lucro de postos e distribuidoras”, calcula o Sindipetróleo.
De acordo com a Resolução CNPE nº 16/2018, o biodiesel deve ser adicionado ao ‘óleo diesel A’ de modo que o volume total de ‘óleo diesel B’ apresente, no mínimo, 13% de biodiesel, respeitando o limite máximo de 15% de acordo com a Resolução CNPE nº 16/2018.
Com a pandemia e o aumento no preço das commodities agrícolas, o percentual da mistura caiu para 10%. No entanto, o governo federal determinou no último leilão de biodiesel que a cota mínima voltasse para 12%, considerando “o arrefecimento da tendência de aumento do preço do biodiesel”.
Fonte: Jornal Estadão Mato Grosso
