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Serviços, indústria e comércio perdem fôlego e reforçam preocupação para 2022

por Da Redacao

Setores têm desempenho negativo em setembro, conforme IBGE

O desempenho negativo dos setores de serviçoscomércio e indústria em setembro evidencia a perda de fôlego da economia brasileira, em um contexto de dificuldades, dizem analistas.

Entre os obstáculos para uma recuperação mais consistente dos negócios, há o efeito da escalada da inflação, dos juros mais altos, do mercado de trabalho ainda fragilizado e da escassez de insumos.

Segundo economistas, o quadro reforça os sinais de preocupação para 2022, ano eleitoral.

Os sinais de alerta ganharam força nesta sexta-feira (12), após o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgar o desempenho do setor de serviços, o principal da economia.

Em setembro, o segmento recuou 0,6% na comparação com agosto, após cinco meses de alta. O resultado contrariou as expectativas dos analistas de mercado, que esperavam avanço de 0,5%, conforme a agência Bloomberg.

A queda de serviços soma-se aos recuos de 0,4% na produção industrial e de 1,3% nas vendas do varejo em setembro. Os três indicadores são pesquisados pelo IBGE.

“Existem vários fatores que justificam a perda de tração. Um deles é a inflação elevada. Outro é a dinâmica da taxa de juros”, afirma a economista Lisandra Barbero, do Banco Original.

“O Banco Central vem elevando a Selic e sinaliza continuidade dessa alta. O comércio, por exemplo, é bem sensível a isso”, completa.

Apesar da queda de 0,6%, o setor de serviços é o único dos três grandes segmentos pesquisados pelo IBGE que continua acima do pré-pandemia. Em setembro, operava em nível 3,7% superior ao de fevereiro do ano passado.

Já a produção industrial ficou 3,2% abaixo do pré-crise, ao recuar 0,4% em agosto. Foi o quarto resultado negativo em sequência.

Na visão de analistas, fábricas ainda são afetadas pela escassez de insumos —é o caso da indústria automobilística— e pelo aumento dos custos de operação.

O varejo, por sua vez, caiu para patamar 0,4% inferior ao de fevereiro de 2020. O recuo do comércio em setembro, de 1,3%, foi o segundo em sequência e o maior para o nono mês do ano na série histórica. A série começou em 2000.

Para economistas, o varejo começa a sentir impactos mais fortes do choque inflacionário, que vem provocando aumento de juros, e das fragilidades do mercado de trabalho.

“Os dados mostram uma perda de fôlego entre os setores nos últimos meses”, aponta a economista-chefe da seguradora de crédito Coface para a América Latina, Patrícia Krause.

“A indústria sentiu antes, com a restrição na oferta de insumos. O varejo teve uma queda bem ampla em setembro, com o efeito da inflação sobre a renda, e agora o setor de serviços veio abaixo das expectativas”, emenda.

De acordo com Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa do IBGE, esse resultado decorreu da retração no transporte aéreo de passageiros, pressionado pela alta de 28,19% no preço das passagens aéreas. Também houve baixas no transporte rodoviário e ferroviário de cargas.

Dentro de serviços, a atividade de serviços prestados às famílias (1,3%) foi a única a avançar na passagem de agosto para setembro, mas ainda está 16,2% abaixo do pré-pandemia, verificado em fevereiro de 2020.

Esse ramo contempla empresas que sofreram o baque inicial da pandemia e agora tentam uma retomada com a vacinação contra a Covid-19 e a trégua nas restrições. Bares, restaurantes e hotéis fazem parte desse setor.

O economista-chefe da agência de classificação de risco Austin Rating, Alex Agostini, também avalia que os dados de serviços, comércio e indústria ilustram um cenário de perda de fôlego da economia.

Apesar das dificuldades, o PIB tende a avançar em torno de 4,9% neste ano, diz o analista. Há o efeito da base de comparação mais fraca e da reabertura de atividades.

Porém, de acordo com Agostini, o cenário para 2022 desperta preocupações. Pesam nessa avaliação fatores como o choque inflacionário e o aumento dos juros, que jogam contra o crescimento econômico.

“O quadro atual reforça as projeções mais negativas para o ano que vem. Acho que ainda é cedo para falar em recessão em 2022, mas, com os números mais recentes, é mais fácil que isso ocorra.”

Estimativas de instituições financeiras para a economia brasileira no próximo ano têm sido revisadas para baixo nas últimas semanas, na esteira da piora do quadro inflacionário e das incertezas fiscais.

As dúvidas com o rumo das contas públicas aumentaram no final de outubro, após o governo Jair Bolsonaro (sem partido) decidir driblar o teto de gastos para pagar o Auxílio Brasil, que substituiu o Bolsa Família.

“O ambiente de recuperação ficou mais incerto. Diante dessas indefinições, é natural ver os agentes postergando decisões de investimento ou recontratação de funcionários”, aponta Lisandra Barbero, do Banco Original.

Com o atual cenário, o Original deve reduzir a projeção para o PIB do terceiro trimestre deste ano. O avanço de 0,3% deve ser revisto para uma baixa próxima de 0,1%, segundo a economista.

Patrícia Krause, da Coface, também enxerga mais desafios para a economia no restante de 2021 e no ano de 2022.

“Há um conjunto de fatores negativos. A inflação vem subindo, temos ainda incerteza fiscal, depreciação cambial e aumento dos juros.”

Fonte: Folha de São Paulo

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