Home CidadesVariante ‘turbinada’ do coronavírus é detectada em Mato Grosso e mais 6 estados

Variante ‘turbinada’ do coronavírus é detectada em Mato Grosso e mais 6 estados

por Da Redacao

Mutação da variante de Manaus tem potencial de ser mais transmissível do que a anterior, que causou colapso na Saúde do Amazonas

A variante gama do coronavírus, ‘nascida’ em Manaus e antes conhecida pelo nome P1, evoluiu para uma versão que pode ser ainda mais transmissível. Segundo cientistas do Genov, um dos maiores projetos de vigilância genômica da América Latina, ela já está circulando em Mato Grosso e outros seis estados brasileiros.

A mutação foi batizada de ‘gama-plus’ e traz uma alteração semelhante à variante delta, que foi detectada pela primeira vez na Índia e tem causado preocupação em todo o mundo, devido ao seu alto poder de contágio. Conforme reportagem do Uol, a mutação ocorre na enzima furina, que aumenta a capacidade do vírus de infectar as células e fazer cópias de si mesmo dentro do corpo humano.

Os cientistas detectaram a variante gama-plus ao analisar 502 amostras colhidas em maio, de pacientes diagnosticados com covid-19. Os achados foram feitos em amostras colhidas em Mato Grosso (1 caso), Goiás (5), Tocantins (2), Ceará (1), Santa Catarina (1), Paraná (1) e Rio de Janeiro (1).

Em entrevista ao Uol, o virologista José Eduardo Levi, que lidera a área de desenvolvimento e pesquisa da Dasa, explicou que já existem várias alterações da variante gama circulando pelo Brasil. “Mas são chamadas gama-plus apenas aquelas que têm algo a mais no sentido de aumentar o seu perigo”.

O perigo da nova variante é aumentado justamente por causa da mutação na enzima de furina. Para entender melhor, é preciso retomar alguns conceitos. Até agora, a preocupação dos cientistas se voltava às mutações na chamada ‘proteína spike’, uma espécie de ‘chave’ que o coronavírus usa para se ligar às células humanas. As primeiras variantes de preocupação traziam mudanças na proteína spike, que permitiam uma ligação melhor.

Acontece que para o vírus infectar, essa ‘chave’ da proteína spike precisa ser quebrada em duas, S1 e S2. É justamente esse o trabalho da enzima de furina: facilitar a clivagem, ou quebra, da proteína spike. A nova mutação acelera esse processo.

Levi explica que as mutações ocorrem normalmente, como parte do processo evolutivo de todos os coronavírus e tendem a acontecer mais rapidamente quando há mais infecções ocorrendo simultaneamente. Quer dizer: cada novo caso registrado de covid-19 traz uma nova chance de que o vírus evolua. A história nos mostra que isso faz sentido. Basta ver que a variante gama surgiu em Manaus, região do mundo que tinha o maior número de casos de covid-19 por um tempo. E a variante delta surgiu depois na Índia, que também passou por um surto descontrolado da doença.

Um novo estudo sobre a prevalência da gama-plus deve ser publicado até o final do mês, trazendo dados sobre amostrar colhidas em junho. “Aí saberemos o quanto a gama-plus ganhou espaço e o quanto ela pode ser perigosa”, concluiu Levi.

Fonte: Jornal Estadão Mato Grosso

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