As viagens urbanas por aplicativos de transporte, de certa forma, foram a “salvaguarda” de parte da população usuária do transporte coletivo durante a pandemia. Desta vez, o que atraiu esse público foi a possibilidade de ter mais segurança durante seus deslocamentos. Do lado dos motoristas de aplicativos, o medo de infecção predominou. Em 2020, chegou a ocorrer um movimento de abandono da atividade.
“Há saída dos motoristas de mais idade, que têm medo de se infectar e morrer. Outros é porque não deram conta de sobreviver a essa situação tão difícil, seja por morte, ou pelo custo dos combustíveis, peças, manutenção. Contra isso tem o preço da viagem, que, pelo contrário, baixou. Parte disso é que as duas principais ferramentas que dominam o país ficam disputando o passageiro e jogando a conta para o motorista pagar”, desabafa Cleber Cardoso, presidente da Associação de Motoristas por Aplicativo de Mato Grosso (AMA-MT).
O choque entre alta demanda por transportes via aplicativo e menos motoristas disponíveis aumentou o custo das viagens para os usuários e, também, o tempo de espera. Para piorar para o lado do usuário, quando ele chama por um veículo via aplicativo, já tem que contar com a possibilidade de cancelamento da viagem por parte do motorista.
Para os consumidores, a situação é vista como uma queda na qualidade desses serviços, mas quem trabalha dentro do sistema explica que esse comportamento é intencional.
“A demora é porque tem menos carros nas ruas e os motoristas que estão dão preferência quando o preço está dinâmico [a taxa repassada é maior]. Isso, porque se a gente roda na branca, quando não tem um preço maior por quilometro rodado. O motorista que usa combustível está pagando para trabalhar e quem usa o GNV [Gás Natural Veicular] se esforça para dar conta”, justifica Cleber.
O JOGO VIROU – Em meio a esta disputa, todos os lados estão perdendo. No meio disso uma solução paliativa tem ganhado espaço. Observa-se um crescimento de acordos “extra aplicativos” entre usuários e motoristas durante a pandemia.
“Muitos estão aderindo às viagens particulares. Quando o usuário entra no carro e fala para o motorista da dificuldade que está tendo para pagar e demora, ele fala ‘liga para o meu número que eu vou te buscar’. Então os grupos de corridas particular têm surgido em todo país e vão crescer muito ainda. Daqui uns dias, os aplicativos deixarão de ser úteis pelo descaso e a maneira que eles tratam todos nós, motoristas e usuários”.
Fonte: Jornal Estadão Mato Grosso
