Home CidadesPaciente espera há seis meses por neurologista e expõe desafio da saúde em MT

Paciente espera há seis meses por neurologista e expõe desafio da saúde em MT

por Sandra Carvalho

A espera por uma consulta especializada tem mudado a rotina de uma moradora de 62 anos do Assentamento Vale dos Sonhos, na zona rural de Feliz Natal, município localizado a cerca de 530 quilômetros de Cuiabá. Diagnosticada com um quadro neurológico que provoca crises convulsivas, ela aguarda há seis meses por uma consulta de retorno com neurologista por meio da Central de Regulação da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT).

A primeira consulta ocorreu em janeiro deste ano. Na ocasião, a paciente realizou os exames solicitados e recebeu a orientação médica para retornar em até três meses, dando continuidade ao tratamento. O prazo passou, mas o novo atendimento ainda não foi agendado.
Enquanto espera, convive com crises convulsivas, episódios de esquecimento e faz uso contínuo de medicamentos. No assentamento, mora apenas com o marido, que sai diariamente para trabalhar levando consigo uma preocupação constante.

“Quando preciso sair, vou com medo. Quando ela tem as crises, fica irreconhecível. Meu maior receio é acontecer alguma coisa enquanto ela estiver sozinha”, relata.

A história do casal foi compartilhada com a médica e pré-candidata ao Governo de Mato Grosso, Dra. Natasha Slhessarenko, durante visita ao município. Assim como esse relato, dezenas de outros têm sido ouvidos ao longo das viagens que ela realiza pelo interior do estado. Em comum, pacientes que enfrentam longos períodos de espera por consultas com especialistas, exames e cirurgias pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Para a médica, Mato Grosso precisa modernizar a gestão da saúde pública e tornar mais transparente o acesso aos serviços especializados. Entre as propostas está a digitalização da Central de Regulação da Secretaria de Estado de Saúde, permitindo que o cidadão acompanhe, por aplicativo, sua posição na fila de espera para consultas, exames e cirurgias, com informações atualizadas sobre o andamento do processo.

A proposta tem como referência experiências bem-sucedidas adotadas em outros estados, como o Piauí, onde a tecnologia passou a oferecer mais transparência ao sistema de regulação e mais segurança ao cidadão que aguarda atendimento.
Outra medida defendida é a ampliação da telemedicina e das teleconsultas, especialmente para atender municípios distantes dos grandes centros, onde se concentram a maior parte das especialidades médicas. A avaliação é de que muitos atendimentos podem ser realizados ou acompanhados à distância, reduzindo deslocamentos, agilizando diagnósticos e aproximando especialistas da população do interior.

Dra. Natasha também defende o fortalecimento da atenção básica. Embora a gestão da atenção primária seja responsabilidade dos municípios, ela entende que o Governo do Estado deve ampliar o apoio técnico e financeiro às prefeituras para fortalecer as equipes de saúde, ampliar o acesso a exames e garantir diagnósticos mais precoces.

“A atenção básica precisa funcionar de forma eficiente. Quando o paciente é acompanhado desde o início, consegue fazer os exames necessários e iniciar o tratamento no tempo certo, evitamos que a doença se agrave e que ele chegue ao especialista ou ao hospital em condições muito mais graves”, afirma.

Outra frente considerada estratégica é a valorização dos profissionais de saúde e a ampliação da oferta de especialistas em Mato Grosso. A proposta prevê criar condições para atrair médicos de outras regiões do país e incentivar que especialistas atuem regularmente no interior, ampliando o acesso da população aos serviços especializados.

Para famílias como a do casal de Feliz Natal, a expectativa é simples: conseguir dar continuidade ao tratamento e viver com a segurança de que o atendimento especializado chegará no momento em que mais precisam.

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