Neste 10 de outubro é o Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher. A data foi instaurada em 1980, de lá para cá pouca coisa mudou acerca da redução dos casos, proteção das vítimas e punição aos agressores. Apesar das campanhas para combate aos crimes e incentivo às denúncias, ainda muitas mulheres sofrem caladas ou têm sua palavra colocada em dúvida.
A psicóloga Pollyana Tavares explica que, muitas vezes, é dificil para a própria vítima identificar a violência que sofre. Pessoas que assistem de fora, e que nunca sofreram violência (ou não entenderam que sofriam), também têm a empatia limitada. Afinal, se a mulher sofre tudo isso, por que continua? Não há resposta fácil e simples para a pergunta. Envolto de tudo isso há uma camada de vergonha, de invalidação da palavra, de pressão por camuflar o que ocorre em casa, pelos filhos, condição financeira e várias outras nuances inerentes à história de cada uma.
“Todas nós sofremos violência em diferentes níveis. Isso está na sociedade, é estrutural, cultural. Está enraizada na sociedade. Se tornou normal o corpo da mulher, a mente da mulher ser do outro. Como se não pudéssmos nos possuir, ser donas de quem somos. Se as pessoas soubessem da história de vida de cada uma, elas julgariam menos”, explica a profissional.
A violência não se restringe às mulheres mais pobres, apesar de serem as que mais aparecem nas estatísticas. Ela está entre ricas e pobres, famosas e anônimas.
“Eu digo por experiência no consultório. As mulheres que gritam, que pedem ajudam que fazem barulho são as mais pobres. As mais ricas só conseguem falar disso na terapia. Não falam nem com a amiga, até porque a amiga deve estar sofrendo também”, relata.
Para a data, separou 5 séries e filmes que tratam o tema da violência contra a mulher e incentivam a denúncia contra agressores, tratamento e acolhimento para as vítimas. Vale destacar que violência não é só a física, que deixa marcas no corpo. Mas também a psicológica, que leva embora o brilho e a autoconfiança.
1 Uma garota de muita sorte
Acompanha a história de Ani FaNelli, que adulta tem uma “vida perfeita”, mas esconde fantasmas do passado que a assombram por anos e só vão embora quando ela decide expor seu agressor. Trata de abuso sexual, psicológico e do massacre vivido pela vítima para provar que o que diz é verdade. Seu violentador, por outro lado, tem credibilidade e tranquilidade que o dinheiro e ser do gênero masculino traz.
2 Série Maid
Com problemas financeiros e familiares, Alex deixa para trás um relacionamento abusivo e encontra um emprego como faxineira para sustentar sua filha e construir um futuro para as duas. Mas essa luta para recomeçar não é linear, há perseguição do ex-marido, a família que não acredita no que ela diz e também a própria falta de consciência de que o que passa é violência, afinal ela não apanhou.
3 Unbelievable ( Inacreditável)
Uma jovem é acusada de fazer uma falsa denúncia de estupro. Anos depois, duas investigadoras encaram casos assustadoramente parecidos. O caso até foi investigado por policiais homens que não acreditaram na denúncia da menor. Sua voz só é ouvida quanto mulheres assumem a frente a apuração e descobrem uma teia de vários abusos que levam a um mesmo criminoso.
4 Série Coisa mais Linda
Ambientada na década de 1950, a série retrata a vida de mulheres de diferentes origens, enfrentando o machismo dentro e fora de casa. Uma personagem em especial é exibida no filme, Ligia. Com a vida perfeita, rica e bonita ela sofre nas mãos do esposo que a humilha, faz tortura psicológica e a agride sempre que bebe.
5 Bom dia, Verônica
Com duas temporadas, a série traz diferentes tipos de violência contra mulher. A agressão física, a manipulação, tortura psicológica, estupro e castigos.
A série tem como protagonista e escrivã Verônica, que não aguenta ver como o sistema trata casos de violência contra a mulher. Ela se envolve e tenta fazer sozinha sua própria investigação para ajudar as vítimas.
Números da violência
Mato Grosso é um dos estados campeões de casos de violência contra a mulher e feminicídios. Praticamente todos os dias são noticiados casos de esposas que apanharam ou foram mortas pelos maridos. Na grande maioria das vezes, o motivo da crueldade é o ciúme ou a incapacidade de aceitarem fim dos relacionamentos.
Dados recentes do Tribunal de Justiça (TJMT) mostram que em pouco mais de um ano desde que foi criado o programa “SOS Mulher – Botão do Pânico Virtual” mais de 5 mil mulheres receberam o “botão do pânico” e medidas protetivas contra os agressores.
Ao ser acionado, em 30 segundos o pedido de ajuda chega ao Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp) da Secretaria de Segurança Pública (Sesp-MT), que envia a viatura mais próxima em socorro à vítima.
Para denúncias, além do 190, a vítima pode ligar para o 180. O Ligue 180 atende todo o território nacional e também pode ser acessado em outros países.
Fonte: GazetaDigital
