Foi numa escola estadual localizada na comunidade rural de Pirizal, em Nossa Senhora do Livramento (38,7 km de Cuiabá), que Ronaldo Guimarães Junior estudou e decidiu se tornar professor. A área que é considerada o “pai de todas as profissões” é celebrada nacionalmente neste sábado, 15 de outubro.
A admiração pela educação veio desde cedo, ainda quando Ronaldo ocupava as “carteiras” do ensino fundamental. O tamanho apreço é levado com muito carinho em seus 15 anos de atuação, conforme relata o educador. “Meus olhos brilhavam quando tinha todo aquele trabalho de envolvimento no dia das crianças, dia dos professores, das mães e isso fez com que eu escolhesse essa profissão. Eu não me arrependo e amo o que eu faço hoje”.
Nas salas de aula, Ronaldo também atuou por 4 anos na Educação para Jovens e Adultos (EJA), período, que, segundo, ele marcaram sua vida como professor. “O que mais me marcou foi a Educação para Jovens e Adultos (EJA) onde trabalhei por 4 anos. Foi ai que aprendi a dar aula, pois tinha alunos de até 70 anos. Isso me marcou muito e até hoje por onde eu passo e encontro com esses alunos, tenho lembranças muito especiais”, acrescenta.
Atualmente, Ronaldo atua como diretor da escola que foi responsável por sua formação quando criança. A unidade leva o nome de José Cassemiro de Pinho e atende 86 alunos do 1º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, na zona rural de Livramento.
Apesar de ocupar um cargo administrativo, Ronaldo não abre mão de estar presente nas salas de aula para conversar os alunos. Entre uma tarefa e outra, ele ainda se divide para verificar os espaços que necessitam de manutenção, serviços e cozinha.
“Procuro diversificar um pouco o meu trabalho para ter o contato com aluno. Faço questão de passar na sala de aula, dar um recado, um feedback, responder perguntas, dar satisfação e falar sobre as novidades da escola”, comenta.
Ao longo dos anos, foram muitas as mudanças. Com o avanço da tecnologia, ele relata os desafios da profissão nos dias atuais, onde o aprendizado gira em torno das novas mídias.
“A vida hoje está em constante mudança, há muitas diferenças entre o meu começo em 2007 e agora em 2022. As tecnologias estão em alta com tudo, os alunos de hoje não são os mesmos de antes e os professores tem que se desdobrar fazendo aulas dinâmicas e atrativas”, pontua.
Ainda segundo ele, outros obstáculos surgiram durante a pandemia da covid-19, que exigiu adaptações para a realidade da educação no campo, onde parte dos alunos não tem acesso à internet.
“A pandemia afetou o aprendizado dos alunos, principalmente os do campo, onde nem todos tem acesso a internet e celular. Nesse período utilizamos o material impresso. Hoje para superação dessa defasagem, o professor tem que inovar com os cursos de capacitação e planejamento”, acrescentou.
Diante dos desafios, Ronaldo afirma há muito a ser superado e destaca que o Dia do Professor vai além de uma simples celebração. “Enquanto professor eu me sinto lisonjeado pela data, pois é uma confirmação da importância do profissional, que é responsável por formar outras profissões. É necessário destacar também que não devemos dar importância apenas no dia 15 de outubro, mas saber que o Dia do Professor deve ser comemorado todos os dias”, disse.
Para ele, ainda existem lutas a serem vencidas em torno da profissão e seu maior desejo para os que ensinam e para os alunos é a valorização e o respeito da comunidade.
“Para os professores e para a educação, eu desejo a valorização e que haja mais investimentos. Aliás, o que seria uma sociedade sem educação? Nada, nada existiria. É preciso ser valorizado e esse é o meu desejo para os próximos anos”, finaliza.
Fonte: GazetaDigital


