Home DestaqueApós comprovar pagamento de delação, juiz libera imóvel de advogados

Após comprovar pagamento de delação, juiz libera imóvel de advogados

por Da Redacao

Os advogados são acusados participarem de um suposto esquema de desvios de verbas públicas para quitar dívidas oriundas da campanha política do ex-governador Silval Barbosa.

O juiz Bruno D’Oliveira Marques, da Vara Especializada em Ação Civil Pública e Ação Popular, determinou o levantamento do bloqueio de um imóvel, nos autos de uma ação em que os advogados Alex Tocantins Matos e Kleber Tocantins Matos, são acusados de improbidade.  A decisão atendeu a um pedido dos próprios irmãos.

O levantamento estava condicionado à comprovação do depósito do valor devido para quitação do acordo de colaboração premiada firmado por eles no âmbito federal.

Assim, juntaram documentos comprovando o depósito da quantia de R$ 646.000,00 (seiscentos e quarenta e seis mil reais) e o Ministério Público emitiu parecer favorável.

Na decisão, o juiz lembrou ainda que a decisão da Justiça Federal já decidiu no mesmo sentido. “E, compulsando os documentos carreados aos autos, verifica-se que consta, no movimento de Id. nº 63701525 – Pág. 207/209, decisão proferida no bojo dos autos supracitados, em trâmite na Justiça Federal, a qual deferiu pedido de levantamento da constrição após concordância do Ministério Público Federal e mediante o depósito em Juízo do valor correspondente à venda do imóvel”, destacou.

“Assim sendo, DEFIRO o pedido dos requeridos Alex Tocantins Matos e Klber Tocantins Matos (Ref. 412 – Id. nº 63701525 – Pág. 143/145), pelo que determino o cancelamento da ordem de indisponibilidade lançada em razão do presente feito na Matrícula nº 19.288 do Cartório do 7º Ofício da Comarca de Cuiabá/MT. PROCEDA-SE com a solicitação de cancelamento via Sistema CEI-ANOREG, tendo em vista que a ordem não foi incluída por meio do Sistema CNIB (Id. nº 63701525 – Pág. 227)”, concluiu.

Entenda

Os advogados são acusados participarem de um suposto esquema de desvios de verbas públicas para quitar dívidas oriundas da campanha política do ex-governador Silval Barbosa. Segundo relatado na denúncia, o então governador teria feito empréstimos a factoring Globo Fomento em valores vultuosos.

Éder de Moraes foi acusado de intermediar os pagamentos. Ele, na condição de secretário da Fazenda, utilizava-se diversas vezes de terceiras pessoas jurídicas para quitação dos empréstimos.

De acordo com a denúncia, a Hidrapar pleiteava há anos recebimento de créditos junto ao Estado, relativos a serviços prestados à Sanemat, e que, “ajuntou-se a um engendrado esquema de corrupção”.

Após a sentença, o escritório de advocacia Tocantins, dos irmãos Alex e Kleber Tocantins, iniciou-se a execução dos valores, representando interesses da empresa. Foi então, segundo o Ministério Público, que iniciou a operação do suposto esquema, com o fim de providenciar desvio de recursos públicos, que contou com a participação do procurador do Estado, João Virgílio, que teria dado aparência de formal legalidade ao pagamento do precatório. João Virgílio não teria atendido a recomendação da Subprocuradoria – Geral de Cálculos de Precatórios e de Recuperação Fiscal, que apontava que o valor requerido para pagamento da empresa Hidrapar era superior ao devido.

Entretanto, homologou o pedido e determinou a devolução à Éder, depositando em duas parcelas o valor de R$ 19 milhões. O montante teria sido transferido ao escritório dos irmãos Tocantins.

Do total depositado ao escritório de advocacia, R$ 5.250.000,00 foram encaminhados a Globo Fomento para quitar dívidas adquiridas pelo então governador.

Os irmãos firmaram acordo de colaboração premiada na Justiça Federal, onde o caso também é investigado.

Na delação, eles se comprometeram a pagar R$ 1 milhão em indenização aos cofres públicos pelos prejuízos causados, além de terem entregado alguns veículos de luxo, como uma caminhonete L200 e uma BMW 320i.

Fonte: Ponto na Curva

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