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Caso Henry: polícia cita contradições nas cartas de Monique e contesta versão de que ela foi manipulada

Sandra Carvalho 5 min de leitura
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Caso Henry: polícia cita contradições nas cartas de Monique e contesta versão de que ela foi manipulada

A Polícia Civil do RJ aponta novas contradições entre as cartas escritas dentro da prisão por Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel, e as informações colhidas nos depoimentos sobre a morte do menino.




Na cadeia, a professora mudou sua versão e disse ter sido controlada e manipulada a fim de contar uma farsa.



Os investigadores afirmam que mesmo agora persistem contradições e que Monique e o namorado, o vereador carioca Dr. Jairinho (sem partido), mal se viram ou se falaram depois do enterro de Henry.

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Resumo






  • A polícia afirma que, nas cartas, Monique não relatou as agressões do dia 12 de fevereiro e que “nada tinha acontecido”;

  • Mas prints de uma conversa da babá por WhastApp para Monique e o próprio depoimento da funcionária trazem detalhes da sessão de tortura e que a mãe de Henry sabia;

  • Monique diz que foi manipulada e controlada para pelo namorado contar uma versão inventada;

  • A polícia, no entanto, afirma que os dois ficaram afastados depois do enterro de Henry.




A polícia concluiu nesta segunda-feira (3) o inquérito do caso e pediu que a prisão temporária de Jairinho e Monique seja convertida em prisão preventiva.



A polícia indiciou Jairinho e Monique por homicídio duplamente qualificado. O vereador também foi indiciado por outros dois episódios de torturas de Henry em fevereiro.



Um deles foi o do dia 12 de fevereiro. A própria criança e a babá Thayná Oliveira relataram essas agressões numa ligação por telefone com Monique, que estava num salão de beleza.



Por causa disso, a mãe ainda está respondendo por tortura por omissão.



Ainda segundo a investigação, Monique manteve a relação com Jairinho apesar de todos os sinais de agressão contra Henry — e por isso a mãe teria contribuído para a morte do filho, já que não afastou o menino do vereador.



A investigação da polícia tomou mais de 20 depoimentos e fez três perícias no apartamento onde Henry morava com a mãe e o padrasto.



Os peritos descartaram a hipótese de queda acidental, e o exame no Instituto Médico-Legal apontou 23 de lesão no corpo do menino. Henry morreu por hemorragia causada por uma ação contundente no fígado.




Contradições nas cartas






Dia 12 de fevereiro segundo Thayná: o que contou a babá de Henry




No relato manuscrito de Monique sobre as agressões sofridas por Henry no dia 12 de fevereiro, ela estava num salão de beleza quando a babá Thayná de Oliveira mandou mensagens pelo WhatsApp avisando que Jairinho se trancou no quarto com o menino (relembre no vídeo acima o que Thayná narrou).



Segundo Monique, a babá contou que Jairinho “chamou Henry para o quarto para mostrar o que tinha comprado (...). Nesse momento, a Thayná ficou preocupada porque disse que o Jairinho tinha trancado a porta e ligado a televisão alta. Eu mandei ela entrar e ver o que estava acontecendo. Mas ela disse para mim que não queria incomodar.”



Na troca de mensagens descoberta durante as investigações, a babá avisa sobre a agressão depois que os dois saem do quarto. “Então, [Henry] me contou que deu uma banda e chutou ele. Que toda vez faz isso.”



Na carta, Monique diz que questionou a babá e ela disse que Henry “recostou no colo da Thayná”.



“Perguntei a ela o que achava a respeito daquilo e ela me assegurou que nada tinha acontecido”, escreveu a mãe de Henry.



No depoimento à polícia, Thayná disse “ter presenciado Henry narrando os mesmos fatos por chamada de vídeo, as agressões sofridas, exatamente como havia feito a declarante, pedindo que Monique chegasse logo”.



Segundo a polícia, a conversa entre Monique e Henry começou às 17h11. Mesmo assim, Monique só foi embora do salão de beleza às 18h01, 50 minutos depois do pedido do filho.






VÍDEO: O que se sabe sobre a morte do menino Henry Borel, no Rio







Manipulação sob suspeita





Em uma das cartas, Monique disse que o primeiro advogado montou uma farsa para proteger Jairinho e que ela foi manipulada, mas a polícia não acredita nessa versão.



A primeira reunião com os advogados foi no dia 10 de março, logo após o enterro de Henry.



De lá até o dia 26, quando foi feita a busca e apreensão dos celulares do casal, foram 16 noites. Em pelo menos 10 delas, eles não dormiram juntos. Cada um estava na casa de seus pais, em Bangu.



Também chamou a atenção da polícia a dificuldade que Jairinho tinha de conseguir falar com Monique. Foram pelo menos 48 ligações do vereador, que ela nem sequer atendeu.



O vereador também chegou a mandar mensagens pedindo para que Monique respondesse. Segundo a polícia, a resposta foi “não quero”.



Monique chegou a pedir a polícia para prestar um novo depoimento, mas o delegado Henrique Damasceno negou porque considerou que as declarações não mudariam o rumo das investigações.



O delegado-chefe do Departamento de Polícia da Capital, Antenor Lopes, já tinha afirmado que não surgiram indícios de que Monique era agredida ou ameaçada pelo namorado.



“A versão dela [Monique] era para proteger o companheiro, Jairinho, inclusive pedindo para a babá apagar as mensagens que indicavam as agressões ao menino no dia 12 de fevereiro”, falou Antenor.



Mentira em depoimentos

 


A investigação chegou à conclusão que Jairinho e Monique mentiram em depoimento à polícia.



Na delegacia, eles negaram a existência de brigas e agressões e Monique garantiu que a relação entre o filho e padrasto era boa. Somente após a prisão, Monique rompeu com Jairinho e relatou em cartas uma rotina de brigas e agressões.



Ainda assim, a mãe insistiu em dizer que nunca viu Jairinho batendo no filho.




O que diz o casal





Procurada nesta segunda-feira (3), a defesa de Jairinho criticou a velocidade das investigações. “A verdade não é essa, os fatos são diferentes do que a polícia e Ministério Público querem mostrar”, afirmou.



“Muita coisa vai mudar quando Jairinho apresentar sua resposta”, emendou.



Os advogados de Monique disseram que só vão se manifestar nesta terça-feira (4).


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