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Transmissão da Covid-19 em ambiente doméstico

Sandra Carvalho 3 min de leitura
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Por Noé Rafael Silva

Após uma semana de trabalho duro, o pedreiro João, trouxe para casa, pão, leite, arroz, feijão, carne e o coronavírus. Nessa jornada, João teve contato com colegas de trabalho, amigos do bar, trabalhadores que tomam a mesma condução.


Ao chegar em casa, abraçou a esposa e filhos. Além do mais, nessa mesma semana, a família recebeu visita de amigos e outros parentes que anteriormente também tiveram contato com colegas de trabalho, contato com a empregada, que tem marido filhos e todos usaram o transporte coletivo, podendo estar contaminados com o coronavirus, sem apresentar sintomas. Esta é a forma mais garantida de trazer a covid-19, para dentro das nossas casas.

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É sabido que a transmissão da Covid-19, ocorre por meio do espirro, da tosse, da fala, da respiração e contato com superfície contaminada. Ao espirrar ou tossir, uma pessoa expele em média vinte mil vírus com velocidade próxima de 160km/h podendo atingir até 2m de distância.


Ao falar em voz alta ou cantar, a pessoa contaminada expele em cada minuto, cerca de mil gotículas de salivas chamadas de perdigotos, capazes de permanecer no ar por 8 minutos em espaço fechado.


No entanto, em uma sala fechada com duas pessoas sem máscaras, o ato de falar espalha mais partículas do tipo aerossol do que tossir. Na respiração de um indivíduo contaminado, são expelidos aerossóis que alcançam dois metros de distância, mostrando que apenas o distanciamento social, por si só, não é uma proteção garantida. Esta doença, também pode ser transmitida ao tocar em uma superfície contaminada, mas com poder de contágio muito menor se comparado com o ato de falar alto, tossir e espirrar.


Assim sendo, essa forma eficiente de propagação em rede da doença, coloca em risco todos os membros da família. Não seria nada constrangedor para o dono de uma residência, impedir a visita ou no mínimo, exigir dos visitantes o protocolo sanitário. Por outro lado, a quarentena imposta pelo governo, sob a orientação “Fique em Casa”, é um coadjuvante para a propagação da doença, visto que, a maioria dos domicílios, tais como, apartamentos de 40m², casas populares de 52m², favelas, são ocupados por famílias com 03 filhos em média, num espaço muito restrito. Não há como evitar o contato em uma situação dessa.


Quando um membro da família, for diagnosticado com a doença, o indivíduo além de seguir o protocolo sanitário é imperativo, isolá-lo em um quarto com banheiro separado, restringindo sua circulação na casa. Ou pelo menos evitar dividir a mesma cama, mantendo as janelas abertas, para aumentar a circulação do ar. Medidas estas, impossíveis de serem cumpridas, frente ao tamanho do imóvel e o número de pessoas que nele habita.


Um caso de transmissão da doença em pessoas da mesma casa, ocorreu em Chapada dos Guimarães, onde a Covid-19 causou a morte do pai de família, Octacílio Araújo de 91 anos, da esposa Geny Araújo de 78 anos e dos filhos Monique Araújo de 55 anos, João Araújo 58 anos.


Em Cuiabá, também ocorreu caso semelhante, onde a Covid-19, causou a morte do pai de família, Jonas Morais de 70anos, da esposa Prof.ª Eliana Morais de 66 anos e do filho do casal, Jonas Moraes de 42 anos. Em termos práticos, é importante saber que se alguém da família apresentar os sintomas da doença em casa, os demais membros, deverão iniciar o isolamento imediato da pessoa e procurar o médico o mais rápido possível, pois o tempo será um fator preponderante na cura da doença.


Isto posto, recomenda-se à família, evitar sair de casa, não receber visita de parentes e amigos, implantar o protocolo sanitário para toda família. Essa Pandemia vai passar, mas no momento precisamos aprender conviver com ela.


Eng. Noé Rafael Silva Professor aposentado da UFMT

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