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Inflação come renda dos trabalhadores

por Da Redacao

Maio registrou a piora do poder de compra da população; em Cuiabá o custo dos itens básicos de alimentação foi o 2º maior em nove anos

Com a perda do poder de compra da população, o sentimento de pobreza dos brasileiros no mês de maio foi o maior em 25 anos. Parte da renda ficou comprometida pela inflação registrada no mês que fechou em 0,83%, o maior resultado para um mês de maio desde 1996, quando atingiu 1,22%. A alta da inflação refletiu diretamente no bolso do consumidor. Em Cuiabá, o custo com alimentação básica no mês passado teve nova alta, terminando em R$ 605,44.

A inflação oficial do país, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), avançou 0,31% em abril e chegou a 0,83% em maio, de acordo com os dados divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Das consequências negativas causadas pelo aumento da inflação, há a psicológica.

“Você se sente mais pobre, porque existe perda do poder de compra. Isso porque, se antes a pessoa tinha um valor de R$ 50 para comprar dez unidades, agora compra só oito. A sensação de pobreza bate forte e não nos faz bem”, explica a economista Edijeide Freitas.

Para assalariados que sobrevivem com um salário mínimo (R$ 1.100), ou menos, o peso da inflação é maior. Como ilustra a economista, há uma degradação do recurso, principalmente para os trabalhadores assalariados.

“A inflação é um dos piores males que pode ter, pois não tem para onde correr. É um processo generalizado de aumento de preços. Olha a carne, por exemplo, a bovina explodiu, a suína, o frango, peixe e até os ovos aumentaram também. Não tem como escapar, ela [inflação] vai te pegar e você perde o seu bem-estar social”, completa Edijeide.

Em longo prazo, o reflexo da perda da capacidade de consumo só piora. Conforme o IBGE, a inflação acumulada em 12 meses subiu para 8,06% em maio, acima dos 6,76% até abril. Com esse avanço, o IPCA acumulado em 12 meses é o maior desde setembro de 2016, quando registrou 8,48%. O desempenho frustra as previsões de inflação do Banco Central.

Para 2021, a meta da entidade era de 3,75%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, para mais ou para menos. Para o resultado em 12 meses, a mediana das estimativas feitas pelo Valor Data era de 7,92%, com projeções entre 7,85% e 7,98%.

“Em junho ainda teremos problemas com a inflação, pois temos toda base de alimentos muito pressionada por custos que incluem altas no dólar, combustíveis, energia elétrica – que deve ser mais pressionada neste período sem chuvas. São fatores que continuam subindo”, cita a economista.

Mesmo tendo no futuro mais altas na inflação, a economista Edijeide Freitas observa melhoras para o segundo semestre do ano. “Vai começar o aquecimento da economia. Já estamos vendo índices favoráveis como o aumento do PIB (Produto Interno Bruto) do país e também do estadual”, destaca.

RETOMADA – No 1ª trimestre do ano, o PIB do Brasil cresceu 1,2% e voltou ao patamar pré-pandemia. Parte desse resultado tem a contribuição da agropecuária (5,7%), uma das principais atividades econômicas de Mato Grosso.

“Na agropecuária, a alta foi puxada pela melhora na produtividade e no desempenho de alguns produtos, sobretudo, a soja, que tem maior peso na lavoura brasileira e previsão de safra recorde este ano”, aponta o IBGE.

Depois do agronegócio, a expansão da economia brasileira contou com a ajuda da indústria (0,7%) e dos serviços (0,4%). “Mesmo com a segunda onda [covid-19], o PIB cresceu no primeiro trimestre, já que, diferente do ano passado, não houve tantas restrições que impediram o funcionamento das atividades econômicas no país”, avalia Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

Fonte: Jornal Estadão Mato Grosso

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