Home JustiçaCaso Isabele: manifestação pede justiça 2 anos após adolescente morrer baleada por amiga em MT

Caso Isabele: manifestação pede justiça 2 anos após adolescente morrer baleada por amiga em MT

por Da Redacao

Familiares e amigos de Isabele Ramos, morta com um tiro na cabeça em um condomínio de luxo, em Cuiabá, em 2020, fizeram uma manifestação nesta terça-feira (12), após dois anos do crime. O ato teve concentração em frente a escola onde Isabele estudava, em Cuiabá.

Caso Isabele: manifestação pede justiça 2 anos após adolescente morrer baleada por amiga — Foto: Divulgação

Caso Isabele: manifestação pede justiça 2 anos após adolescente morrer baleada por amiga — Foto: Divulgação

A mãe da adolescente, Patrícia Guimarães Ramos, também esteve no local. Emocionada, ela recebeu o apoio dos amigos de Isabele. Eles fizeram cartazes e escreveram nos carros ‘Justiça por Bele’.

Em carreata, os carros prosseguiram pelas ruas da cidade com rumo ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

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Além de homenagear Isabele, o objetivo da manifestação também foi o de chamar a atenção da Justiça, que, no mês passado, liberou a adolescente que matou Isabele da internação em unidade socioeducativa.

Isabele Ramos foi morta pela amiga em um condomínio de luxo em Cuiabá em 2020 — Foto: Arquivo pessoal

Isabele Ramos foi morta pela amiga em um condomínio de luxo em Cuiabá em 2020 — Foto: Arquivo pessoal

A adolescente cumpria pena de três anos no Lar Menina Moça, que fica no Complexo do Pomeri, na capital. Ela foi internada no dia 19 de janeiro de 2021. A cada seis meses, a Justiça decide sobre a manutenção ou não da internação.

A defesa da menor conseguiu uma decisão favorável da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e foi solta no dia 8 de junho.

A defesa da adolescente conseguiu reverter a decisão da condenação. Ao invés de homicídio doloso, a Justiça considerou que o crime passou a ser homicídio culposo, ou seja, quando não há intenção de matar.

O crime ocorreu em julho de 2020. Isabele e a condenada eram amigas e tinham a mesma idade. No dia 12 de agosto de 2020, o laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) apontou que a pessoa que matou Isabele estava com a arma apontada para o rosto da vítima, a uma distância que pode variar entre 20 e 30 cm, e a 1,44 m de altura.

Em abril deste ano, Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a internação da adolescente. A decisão do ministro Edson Fachin negou o pedido de habeas corpus da defesa da adolescente.

Isabele Ramos, de 14 anos, foi morta pela amiga em julho de 2020 — Foto: Arquivo pessoal

Isabele Ramos, de 14 anos, foi morta pela amiga em julho de 2020 — Foto: Arquivo pessoal

Em fevereiro deste ano, o Ministério Público Estadual (MPE) já havia recusado o laudo que recomendou a liberação da garota . O parecer negativo então foi encaminhado à Justiça, que seguiu o entendimento do MP e manteve a internação.

Condenação

 

A adolescente foi condenada pelo ato infracional análogo ao crime de homicídio doloso, quando há intenção ou assume o risco de matar.

Ela está no Lar Menina Moça, no Complexo do Pomeri, em CuiabáI, desde 19 de janeiro de 2021. A cada seis meses, passa por esse processo de avaliação da internação.

Em abril do ano passado, familiares e amigos de Isabele fizeram duas manifestações para não deixar que o caso seja esquecido e para pedir que a menor condenada pelo homicídio permaneça cumprindo a medida socioeducativa, e que a liberdade não fosse concedida.

Familiares e amigos fazem carreata para pedir justiça por Isabele — Foto: Ianara Garcia/TVCA

Familiares e amigos fazem carreata para pedir justiça por Isabele — Foto: Ianara Garcia/TVCA

No mesmo mês, os desembargadores Juvenal Pereira da Silva, relator do habeas corpus, e Gilberto Giraldelli, votaram pela manutenção da internação da garota. O único a votar pela liberdade da menor e substituição por medidas cautelares foi Rondon Bassil Dower Filho.

O caso

 

No dia 12 de agosto de 2020, o laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) apontou que a pessoa que matou Isabele estava com a arma apontada para o rosto da vítima, a uma distância que pode variar entre 20 e 30 cm, e a 1,44 m de altura.

A reconstituição do crime foi feita no dia 19 de agosto de 2020.

A polícia indiciou a autora do tiro, que tem 15 anos, por ato infracional análogo a homicídio doloso no dia 2 de setembro. A investigação concluiu que a versão apresentada por ela, no decorrer do inquérito, era incompatível com o que aconteceu no dia da morte e que a conduta da suspeita foi dolosa, porque, no mínimo, assumiu o risco de matar a vítima.

O Ministério Público Estadual (MPE) acusou a amiga de matar Isabele — ato infracional análogo ao crime de homicídio doloso, quando há intenção ou assume o risco de matar — e no dia 10 de setembro pediu a internação provisória dela.

Seis dias depois, a Justiça aceitou o pedido do MPE, ordenou a internação da menina e deu início ao processo que tramita em sigilo. No entanto, a internação durou menos de 12 horas, porque a Justiça concedeu um habeas corpus a pedido da defesa dela.

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso manteve a adolescente em liberdade até a conclusão do processo, com medidas cautelares, como não sair depois de meia-noite de casa e não ingerir bebida alcoólica.

O processo foi concluído em janeiro: a adolescente foi condenada à internação por tempo indeterminado em unidade socioeducativa. Ela foi punida por ato infracional análogo ao crime de homicídio doloso, quando há intenção de matar, e qualificado.

Amigos e familiares da adolescente Isabele Guimarães Ramos, de 14 anos, morta por um tiro acidental feito pela amiga em um condomínio de luxo, em Cuiabá, deixaram flores, homenagens e bichos de pelúcia na calçada da casa onde o caso aconteceu — Foto: Arquivo pessoal

Amigos e familiares da adolescente Isabele Guimarães Ramos, de 14 anos, morta por um tiro acidental feito pela amiga em um condomínio de luxo, em Cuiabá, deixaram flores, homenagens e bichos de pelúcia na calçada da casa onde o caso aconteceu — Foto: Arquivo pessoal

Fonte: G1Globo

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