Ação resgata 12 pessoas de trabalho análogo à escravidão em fazenda de MT
Uma operação conjunta realizada no dia 17 de março resgatou 12 trabalhadores em condições análogas à escravidão em uma fazenda localizada em Alto Taquari, a cerca de 100 quilômetros da área urbana mais próxima. A maioria das vítimas é do Maranhão e teria sido atraída por falsas promessas de emprego.
A ação foi coordenada por auditores-fiscais da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Mato Grosso, vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego, com apoio do Ministério Público do Trabalho e da Polícia Federal. Os trabalhadores atuavam no corte e beneficiamento de eucalipto, além de atividades em carvoaria.
Segundo a fiscalização, os trabalhadores não tinham registro em carteira, enfrentavam jornadas exaustivas e recebiam remuneração irregular. Também não eram fornecidos equipamentos de proteção individual nem treinamento adequado para as funções.
Anuncie aqui Sua marca para todo o Médio Norte 300 × 250 px Quero anunciarAs equipes encontraram condições degradantes tanto de trabalho quanto de moradia. Os alojamentos não atendiam às normas básicas de higiene, segurança e conforto. Faltava água potável e não havia água quente para banho. Os banheiros apresentavam problemas estruturais e ventilação inadequada, enquanto os dormitórios não possuíam ventilação ou climatização, além da ausência de móveis essenciais.
O isolamento da propriedade agravava a situação. Sem transporte regular, os trabalhadores permaneciam no local por longos períodos, em alguns casos há mais de dois anos.
Após o resgate, as vítimas foram retiradas da fazenda às custas do empregador e encaminhadas para hospedagem adequada. Também foram quitadas as verbas rescisórias e emitidas as guias para acesso ao seguro-desemprego especial.
Foi firmado ainda um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho, prevendo o pagamento de indenizações por danos morais individuais, que variam de R$ 10 mil a R$ 60 mil, além de R$ 50 mil por dano moral coletivo. O acordo também estabelece medidas para regularizar as condições de trabalho e evitar novas irregularidades.
Ao todo, as verbas trabalhistas e indenizatórias somam cerca de R$ 400 mil. Segundo a auditora-fiscal do trabalho Flora Camargos, a ação reforça a atuação conjunta dos órgãos no combate ao trabalho análogo à escravidão e na garantia dos direitos dos trabalhadores.