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Economia

Em 4 anos, Bolsa dobra de valor e chega perto da marca de 4 milhões de clientes

Da Redacao · atualizada em 4 min de leitura
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SP - BM&FBOVESPA/FUSÃO/CETIP - ECONOMIA - A logomarca B3, nome da empresa resultante da fusão entre BM&FBovespa e Cetip, já pode ser vista no prédio da Bovespa, no centro de São Paulo, nesta sexta-feira, 31. O projeto de internacionalização da BM&FBovespa pela América Latina seguirá como prioridade da B3, empresa fruto da fusão de Bolsa e Cetip, disse ontem, 30, o diretor presidente da companhia, Edemir Pinto. A BM&FBovespa anunciou no fim de janeiro a aquisição de uma fatia minoritária na bolsa de valores do Peru, dando um dos passos finais para sua internacionalização na América Latina. Com isso, a Bolsa brasileira passa a deter uma participação em quatro bolsas regionais, além do Peru, já estão no seu portfólio Colômbia, México e Chile. 31/03/2017 - Foto: SUAMY BEYDOUN/AGIF/PAGOS

Nunca se falou tanto de Bolsa de Valores no Brasil. Com o juro real (que desconta a inflação) próximo de zero, investir em ações virou papo de mesa de bar. Pode parecer que sempre foi assim, mas a verdade é que o movimento é bem recente. Foi só há quatro anos que surgiu a B3 – fruto da fusão das antigas BM&F Bovespa e Cetip. Desde então, o valor de mercado do negócio mais do que dobrou, passando de R$ 40 bilhões para R$ 100 bilhões, enquanto o total de investidores se multiplicou por seis, chegando perto de 4 milhões.

O impulso para a alta do número de investidores foi conjuntural, já que as aplicações de renda fixa ficaram menos atrativas com a queda dos juros. Tanto é assim que, antes do boom atual, a Bolsa tentou várias formas de promover o mercado acionário. De tendas nas praias paulistas e em sindicatos a uma campanha publicitária com Pelé, nada parecia adiantar em um cenário em que o investidor podia ganhar mais de 10% ao ano sem correr risco.

Com a queda dos juros, vieram as plataformas de investimento em Bolsa. De repente, o cliente se viu bombardeado de todos os lados: bancos, casas de análises e corretoras. “O que fez diferença foi o crescimento de plataformas e do mercado de assessores, que levam conhecimento às pessoas físicas”, afirma o sócio da Eleven Financial, Raphael Figueiredo.

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A advogada Bruna Garner, de 27 anos, é uma dessas novas investidoras. Suas primeiras ações foram compradas há cerca de um ano, quando garimpou papéis que caíram muito no início da pandemia, como a Azul, a Gol e a agência de turismo CVC. “Comecei para ter uma forma de rendimento. Nossos pais pensavam em previdência e imóveis, mas isso já não traz um retorno tão bom como ações”, comenta Bruna, que tem 10% de sua carteira em renda variável – o restante segue em renda fixa.



Já o analista de dados Yago Rodrigues, 28 anos, começou a investir um pouco antes do começo da pandemia, testando fundos imobiliários e ETFs, que seguem índices acionários. Hoje, Rodrigues tem 50% de sua carteira em ações, incluindo papéis de uma das queridinhas do mercado, o Magazine Luiza.


O aumento do total de empresas listadas também serviu de incentivo à Bolsa brasileira. Desde o início de 2020, mais de 60 empresas já fizeram ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês), número que ainda vai subir até o fim do ano.


Apesar do crescimento acelerado, a B3, que já esteve na quinta posição entre as Bolsas de Valores do mundo, viu sua posição cair por conta do real enfraquecido, já que esse ranking é feito em dólar. O ranking é liderado pelas americanas Nyse e Nasdaq, gigantes com US$ 20 trilhões em capitalização das empresas listadas. Na B3, esse valor é de cerca de US$ 1 trilhão.


Concorrência


Apesar da expansão recente, a B3 ainda navega sozinha no mercado acionário local. A eventual chegada de uma concorrente para a Bolsa brasileira é um assunto recorrente. Nos últimos meses, com rumores de uma nova movimentação para criar uma rival, a B3 perdeu cerca de 28% em valor de mercado. O assunto retornou após a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) colocar o tema em audiência pública, encerrada há poucos meses. Os resultados dessa consulta ainda estão sendo analisados.


Especialistas consultados pelo Estadão acreditam que essa competição virá, mas não na forma de uma Bolsa tradicional como a B3, mas na forma de fintechs que vão focar em serviços específicos de negócio, caso da Mark 2 Market, focada em registro de Certificados de Recebíveis do Agronegócios (CRAs).Professor de Direito Econômico da FGV-Direito, Caio Mario Pereira Neto destaca que a própria regulação pode abrir espaço para a competição, como ocorreu no setor bancário, que hoje é puxada pela atuação das fintechs.


Por outro lado, há uma longa lista de potenciais rivais para a B3 que não prosperam. A ATS Brasil chegou a fazer um pedido para a abertura de uma Bolsa à CVM, em 2013, mas a ideia acabou não avançando. Mesmo destino teve o projeto da gestora Claritas, em parceria com a Bats Global Markets, operadora global do setor.

3 perguntas para...

Daniel Sonder, vice-presidente de Finanças da B3

1. Como está o contexto de competição com a B3?

Hoje é difícil imaginar uma empresa chegar para competir com a B3 integralmente. A competição virá na margem e pode vir de alguma vulnerabilidade. A gente fica com os radares ligados, com inovação e novos lançamentos. Tentamos também ter muito diálogo com os clientes. Quando nos perguntam sobre ameaça de Bolsas de Valores, lembramos que a negociação de ações representa 5% de nossa receita.

2. Qual a visão da companhia para aquisições?

Queremos manter o lugar de excelência que temos em nosso negócio-chave. Outra estratégia é expandir nas adjacências. A transação com a Totvs (investimento de R$ 600 milhões na Totvs Financial Services, rebatizada Dimensa) é uma nova etapa em parcerias, com investimento de longo prazo.

3. A empresa pode entrar em criptomoedas?

Obviamente, existe uma demanda grande por essa classe de ativo, e não existe uma companhia no mercado financeiro que não esteja refletindo em como atuar nisso. E já temos alguns ETFs de criptomoedas sendo negociados.

Fonte: Estadão

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