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Cidades

Mudanças do clima: as previsões do IPCC para a América do Sul

Da Redacao 5 min de leitura
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Entre as projeções do órgão da ONU para a região estão o avanço da seca no Nordeste, na Amazônia e no Centro-Oeste. Mudanças afetarão vários setores, incluindo a agricultura.

Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) publicado nesta segunda-feira (9) conclui que os seres humanos são responsáveis por um aumento de 1,07°C na temperatura do planeta.




É a primeira vez que o IPCC - um órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) - quantifica a responsabilidade das ações humanas no aumento da temperatura na Terra. As conclusões estão no documento "Climate Change 2021: The Physical Science Basis".

Os pesquisadores também fizeram previsões regionais, de qual será o impacto das mudanças no clima. Entre as projeções para a América do Sul estão:

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  • Crescimento na duração das secas no Nordeste brasileiro;

  • Aumento no número de dias secos e na frequência das secas no norte da Amazônia brasileira;

  • Número de dias com temperaturas máximas superiores a 35°C na Amazônia aumentarão em no mínimo 60 dias por ano até o final do século (podendo passar de 150 dias em um cenário mais extremo);

  • Mudança no regime das monções no sul da Amazônia brasileira e em parte do Centro-Oeste, com atraso nas chuvas torrenciais;

  • Crescimento de secas agrícolas e ecológicas no sul da Amazônia brasileira e em parte do Centro-Oeste se a temperatura global aumentar em 2°C ou mais;

  • Crescimento da seca, da aridez e/ou das queimadas no sul da Amazônia brasileira e em parte do Centro-Oeste. Mudanças afetarão uma ampla gama de setores, incluindo a agricultura;




Veja as principais projeções do IPCC para a América Central e do Sul e, mais abaixo, os detalhes para cada uma das sub-regiões:




Conclusões para toda a região





Temperaturas:




  • Alta confiança de que as temperaturas médias provavelmente aumentaram em todas as sub-regiões e continuarão a aumentar a taxas maiores do que a média global.






Impacto das mudanças na América do Sul: as projeções do IPCC — Foto: Editoria de Arte/G1





Chuvas:




  • Alta confiança de mudanças na precipitação média: aumento das chuvas no Noroeste da América do Sul (Colômbia, Peru e Equador) e no Sudeste da região (Uruguai, Paraguai e parte de Argentina e Brasil);

  • Média confiança de mudanças na precipitação média: redução nas chuvas no Nordeste da América do Sul (Nordeste do Brasil) e Sudoeste da região (Chile e sul do Peru).




Oceanos:




  • O nível relativo do mar no Atlântico Sul e no Atlântico Norte cresceu nas últimas três décadas a uma taxa mais alta do que a média global. No Pacífico Leste, o crescimento ficou abaixo da média global;

  • É extremamente provável que o aumento relativo do nível do mar continue nos oceanos ao redor da América Central e do Sul, contribuindo para o aumento das inundações costeiras em áreas baixas e recuo da costa em partes arenosas;

  • Alta confiança de que as ondas de calor marítimas devem aumentar em toda a região ao longo do século 21.





Conclusões para as sub-regiões







ARTE: América do Sul e o impacto das mudanças climáticas, segundo o IPCC — Foto: Editoria de Arte/G1





Nordeste da América do Sul (NES) - Nordeste brasileiro:




  • Alta confiança de que haverá um aumento dominante na duração da seca;

  • Confiança média de que aumentarão a intensidade e frequência das precipitações extremas, além de inundações causadas pela chuvas, se a temperatura global aumentar em 2°C ou mais.




Norte da América do Sul (NSA) - Norte da Amazônia brasileira, Leste da Colômbia e Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa:




  • Alta confiança em um aumento dominante no número de dias secos e na frequência das secas;

  • Confiança média de que aumentarão a intensidade e a frequência das precipitações extremas, além das inundações causadas chuvas, se a temperatura global aumentar em 2°C ou mais.




Monções da América do Sul (SAM) - Sul da Amazônia brasileira e parte do Centro-Oeste e Bolívia:




  • Alta confiança que de as monções (chuvas torrenciais) serão atrasadas durante o século 21. Há pouca confiança de que haja mudanças nas precipitações (quantidade de chuva);

  • Alta confiança de que aumentaram secas agrícolas e ecológicas em meados do século 21 se a temperatura global aumentar em 2°C ou mais;

  • Alta confiança de que aumentarão um ou mais dos seguintes aspectos: seca, aridez e queimadas. Mudanças afetarão uma ampla gama de setores, incluindo a agricultura;

  • Alta confiança de que o número de dias com temperaturas máximas superiores a 35 °C na Amazônia aumentarão em no mínimo 60 dias por ano até o final do século 21 (podendo passar de 150 dias em um cenário mais extremo);

  • Confiança média de que aumentarão a intensidade e a frequência das precipitações extremas, além das inundações causadas chuvas, se a temperatura global aumentar em 2°C ou mais.






Barco no fundo do Rio Amazonas, em Manaus, em 26 de outubro de 2015 — Foto: REUTERS/Bruno Kelly/Reuters





Sudeste da América do Sul (SES) - Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste brasileiro, Paraguai, Uruguai e grande parte da Argentina:




  • Crescimento da precipitação média e extrema são observados desde 1960. Impulsionam essa mudança o aumento na emissão dos gases de efeito estufa e aerossóis e a redução da camada de ozônio;

  • Confiança média de que aumentarão a intensidade e a frequência das precipitações extremas, além das inundações causadas chuvas, se a temperatura global crescer 2°C ou mais.




Sul da América do Sul (SSA) - extremo Sul da Argentina e do Chile:




  • Alta confiança de aumento das secas agrícola e ecológica para meados do século 21, se a temperatura global crescer 2°C ou mais;

  • Confiança média de que aumentarão a intensidade e a frequência de precipitações extremas e inundações causadas pela chuva, se a temperatura global crescer 2°C ou mais.




Sudoeste da América do Sul (SWS) - Sul do Peru e quase todo o Chile:




  • Alta confiança de que aumentará a área sujeita a secas mais frequentes e severas;

  • Alta confiança de que aumentará o risco incêndios;

  • Alta confiança de que aumentarão um ou mais dos seguintes aspectos: seca, aridez e queimadas. Mudanças afetarão uma ampla gama de setores, incluindo a agricultura;

  • A perda de volume de geleiras e o degelo do permafrost (terra, gelo e rochas permanentemente congelados) provavelmente continuarão na Cordilheira dos Andes, causando reduções importantes no fluxo dos rios e potencialmente causando inundações de lagos glaciais.




Noroeste da América do Sul (NWS) - Peru, Equador e Colômbia:




  • Alta confiança de que diminuirá a quantidade de neve e gelo e aumentará a de inundações pluviais e fluviais;

  • A perda de volume de geleiras e o degelo do permafrost (terra, gelo e rochas permanentemente congelados) provavelmente continuarão na Cordilheira dos Andes, causando reduções importantes no fluxo dos rios e potencialmente causando inundações de lagos glaciais.




América Central do Sul (SCA) - Sul do México e todos os países continentais da região:




  • Confiança média de que estão aumentando a aridez e as secas agrícola e ecológica estão aumentando;

  • Confiança média de que as queimadas também aumentarão.


Fonte: G1



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