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Reflexões sobre o luto, a dor da perda

Da Redacao 3 min de leitura
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Autora: Indiana Campos Borralho

Técnica em Alimentos; Biomédica; Professora; Mestre em Ciências Aplicadas à Atenção Hospitalar.

O luto é um momento que desequilibra o organismo dos indivíduos enlutados, a saúde física e mental é afetada, ocasionado transformações emocionais devido ao alto nível de estresse, através dos hormônios secretados nesse momento de estresse emocional.

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Há estudos que relatam falta de apetite, dificuldade para dormir e memorizar, imunidade baixa, crises cardíacas, alteração de humor, problemas estomacais, entre outros problemas, todos relacionados a secreção hormonal. No entanto essas explicações ainda merecem mais notoriedade ao meio científico, mas já se sabe que o hormônio cortisol, a serotonina e a adrenalina, são os grandes responsáveis pelo desequilíbrio no metabolismo do individuo enlutado.

O dicionário conceitua o luto, porém não distingue. Mesmo diante dos conceitos pré-estabelecidos, não há palavra que descreva perfeitamente a vivência do luto, a dor causada pelo luto, seja por perder alguém ou algo que seja importante, independentemente do motivo, causa ou circunstância.

Somos inconscientemente responsáveis pela nossa maneira de vivenciar o temido luto, apesar de estarmos atualmente em um momento que muitas vezes não, nos é perdido despedidas com longos abraços mesmo em um corpo sem vida. A pandemia da COVID-19 não apenas impactou à nossa maneira de viver, mas até mesmo mudou drasticamente a forma como morremos e sofremos.

Chorar debruçado em um caixão, tocar no corpo pálido ou não ouvir/sentir um coração batendo, sempre foi visto como o último adeus físico, porém nos dias atuais a maior dor é a ausência de despedida ou a ausência do ver para crer.

Muitas pessoas passaram, passarão e estão passando pelo luto, seja pela COVID-19 ou por complicações da COVID-19, não importa, perda é perda, morte é morte, dor é dor, o cenário que muda é por não poder velar, despedir, vivenciar o luto de uma maneira mais digna, deixando muitas vezes que as expressões de pesar e luto sejam realizadas.

Mas como já disse, há diversos motivos para estar em luto, e saber encarar a morte talvez seja uma das mais complexas, independente da cultura ou tradição que o indivíduo está inserido. Afinal, o que será que acontece depois? Contudo, posso dizer por experiência própria, o que foi imposto a mim! sobre vivenciar um luto sem despedida, escolhi vivenciar calada, observando, relembrando, sorrindo, chorando, revendo fotos e áudios, afinal é o que me resta; porém nem todos conseguem agir assim, as vezes nem agir conseguem.

Quanto as outras causas de luto, seja pela perda de um emprego por exemplo, pelo assalto em sua residência, pela perda da sua inscrição no ENEM, pelo alimento que lhe falta, pela ausência de gratidão, tudo é sinônimo de tristeza.

A visão sobre a perda é ampla e particular, o único fator em comum a todos é devemos buscar a melhor forma para lidar com essa situação para não que o luto não se torne patológico. A vida é um ciclo e cada uma das suas etapas deve ser compreendida e vivenciada de maneira plena para absorver o aprendizado que lhe oportuno no momento.

Todo luto deve ser respeitado, toda pessoa enlutada deve ser acolhida.

Referências

Smith, K. V., & Ehlers, A. (2020). Cognitive predictors of grief trajectories in the first months of loss: A latent growth mixture model. Journal of consulting and clinical psychology, 88(2), 93–105. https://doi.org/10.1037/ccp0000438

Djelantik, A., Bui, E., O'Connor, M., Rosner, R., Robinaugh, D. J., Simon, N. M., & Boelen, P. A. (2021). Traumatic grief research and care in the aftermath of the COVID-19 pandemic. European journal of psychotraumatology, 12(1), 1957272. https://doi.org/10.1080/20008198.2021.1957272

Simon N. M. (2013). Treating complicated grief. JAMA, 310(4), 416–423. https://doi.org/10.1001/jama.2013.8614

Linde, K., Treml, J., Steinig, J., Nagl, M., & Kersting, A. (2017). Grief interventions for people bereaved by suicide: A systematic review. PloS one, 12(6), e0179496. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0179496

Esta lauda é em homenagem ao meu querido primo Deibson Élder da Conceição Campos, que foi uma vítima da COVID-19 anos 36 anos de idade, deixando seus três filhos, familiares e amigos cheio de saudade dos bons momentos que todos vivenciamos ao seu lado, e em especial do seu sorriso largo, abraço forte e coração bondoso.

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