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Wilson diz que evasão fiscal fez MT perder R$ 450 bi em ouro e relata compra única de R$ 230 milhões de forma ilegal

Da Redacao 3 min de leitura
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Wilson diz que evasão fiscal fez MT perder R$ 450 bi em ouro e relata compra única de R$ 230 milhões de forma ilegal

O deputado estadual Wilson Santos (PSDB), presidente da CPI da Renúncia e Sonegação Fiscal da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, disse – em reunião ordinária na segunda-feira (17) – que, em três anos e meio, o Estado teve evasão fiscal na ordem de R$ 450 bilhões em ouro. Além disto, relatou a compra, feita por uma única pessoa, no valor de R$ 230 milhões de forma ilegal. Segundo o delegado da Polícia Federal, Cristiano Nascimento dos Santos, o efetivo do órgão é bastante limitado, o que impacta diretamente nos números apresentados.

O presidente da CPI, deputado Wilson Santos (PSDB), afirmou que o número reduzido de policiais federais e na Agência Nacional de Mineração contribuiu para a evasão fiscal em Mato Grosso, que, em três anos e meio, segundo ele, foi da ordem de R$ 450 bilhões em ouro.

“Isso foi possível porque não tem fiscalização como deveria ter. Os órgãos públicos em nível federal e estadual não têm as mínimas condições de realizarem de maneira efetiva essas atividades econômicas”, disse Santos.

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Por isso, Wilson Santos disse que vai levar ao conhecimento da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), para combater o crime de sonegação fiscal, o aperfeiçoamento da legislação na área de exploração do ouro em Mato Grosso. Segundo o parlamentar, o setor precisa ser investigado a fundo.

“No setor de ouro, não há nota fiscal eletrônica. Hoje, a nota fiscal é feita à mão e muitas vezes há blocos de notas fiscais em branco. Há notícias de ouro que é apreendido em outros estados sem nota fiscal e cuja origem foi Mato Grosso, de pessoa que vem com até R$ 230 milhões em dinheiro para comprar ouro no estado. Isso é ilegal e criminoso”, destacou o parlamentar.

De acordo com o delegado da PF, a sonegação de tributos federais do ouro em todo o Brasil, no período compreendido entre janeiro de 2016 e maio de 2019, foi da ordem de R$ 318 milhões. A maior fatia, segundo ele, é do Imposto de Renda que o garimpeiro deixa de pagar, o montante é de R$ 198 milhões. Em relação à exportação do ouro, nesse mesmo período, o valor foi de R$ 434 bilhões.

Ele disse que o número de investigações encerradas em Mato Grosso até o ano de 2010 foi de 445 e que existem ainda em andamento 101 processos. Isso engloba as quatro delegacias da Polícia Federal em território mato-grossense.

“Os municípios em que mais existem inquéritos encerrados e em andamento são da região do Pantanal até o município de Aripuanã. As outras delegacias são as de Cáceres e de Sinop. Essas são as três unidades com maior demanda em relação ao combate à extração e comercialização ilegal do ouro”, disse Cristiano Nascimento.

Cristiano disse à CPI que há diversas formas de transporte ilegal de ouro praticadas em Mato Grosso. Uma delas, segundo ele, foi interrompida com a ação da PF no aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande. Mesmo assim, ele não pode afirmar se as exportações ilegais de ouro foram sanadas no estado. “Com essa ação, não é que a atividade ilícita acabou em Mato Grosso, mas conseguimos fechar uma porta, uma barreira com uma estratégia de fiscalização que pode ser difundida e multiplicada a outras agências, órgãos e aeroportos”, explicou Nascimento.


Ele citou que em sua jurisdição há apenas três agentes, um escrivão e o delegado trabalhando, e que o número de pessoas é insuficiente para fiscalizar 45 municípios. “O estado de Mato Grosso é enorme. Por isso, quanto mais agentes estiverem envolvidos com o processo, a tendência é que o resultado seja mais positivo”, disse Cristiano Nascimento.

O delegado sugeriu à CPI, para combater a sonegação tributária, a criação de nota fiscal eletrônica. “É um instrumento para ter controle maior na cadeia de custódia do ouro e, com isso, tentar garantir que o ouro que sai de uma origem legal seja legal o tempo inteiro, até chegar a seu destino. Isso pode evitar que o ouro seja esquentado. Esse tipo de ouro não contribui com a arrecadação do estado”, explicou Nascimento.


Fonte: Olhar Direto

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